Transparência ou Morte

Liberdade de imprensa, abolição da escravidão e ideias liberais foram pautas da independência

Atualizado em 07/04/2022 às 13:04, por Sinval de Itacarambi Leão.

A nascente imprensa brasileira durante os 14 anos entre a vinda da família real ao Brasil, em 1808 e o grito do Ipiranga, em 1822, foi um empreendimento heroico e reconhecido já em 7 de abril de 1831, quando a multidão no Rio de Janeiro, dava vivas a Libero Badaró, e apupava Dom Pedro I. De fato, o ex-imperador, era acusado de assassinar o jornalista. A crise provocada então, obrigou-o em menos de 5 meses abdicar o trono e fugir para Portugal. Essa é a razão de se comemorar em 7 de abril, o dia do Jornalista e da ABI, a Associação Brasileira de Imprensa.


Esse heroísmo foi resgatado, novamente, em 1923, por ocasião do 1º centenário da Independência quando Barbosa Lima Sobrinho, 3 vezes presidente da ABI, publicou O Problema da Imprensa, livro que se tornou um clássico do jornalismo brasileiro. Barbosa atribui ao Correio Braziliense, fundado em 1808, no exílio de Londres, pelo gaúcho maçom José Hipólito da Costa, o papel fundamental na luta pela soberania do Brasil. “Pode-se dizer, com segurança, que a geração que no Brasil preparou e realizou a independência foi feita pelo Correio Braziliense” é a avaliação mais sintética que Barbosa Lima dá à atuação do jornal na luta pela soberania do Brasil. Conquistada a independência o Correio fechou meses depois, em 1823.


Crédito:reprodução ABI

A imprensa política foi a grande marca da luta pela independência aqui no Brasil. Durante a Revolução Pernambucana de 1817, o clero e a maçonaria lideraram por 74 dias a primeira experiência republicana quando Frei Caneca foi um dos comunicadores do levante. No lustro seguinte, pasquins, folhas panfletárias, gazetas e outros informativos multiplicavam-se, principalmente, no Rio de Janeiro, a favor ou contra os portugueses. Citemos alguns: A Malagueta, de Luís A. May; O Regulador Brasileiro, de Frei Sampaio e O Espelho, de Ferreira Guimarães. O Reverbero Constitucional Fluminense de Januário da Cunha Barbosa e Joaquim Gonçalves Ledo e O Correio do Rio Janeiro, do português José Soares Lisboa concorriam no ataque e defesa do príncipe. Nesse caldo noticioso, liberalismo, a abolição da escravidão, defendida por José Bonifácio, o Patriarca da Independência e o ativismo político de Dona Leopoldina foram pautas estruturantes na conquista da independência brasileira frente a Portugal.


A ABI foi fundada na Velha República, em 7 de abril de 1908, em homenagem a Libero Badaró, o protomártir da Liberdade de Imprensa. Eram tempos que, Ruy Barbosa asseverava que a imprensa, profissional, imparcial, plural e relevante eram “os olhos e ouvidos da nação”. Por sina ou vocação, a imprensa brasileira conversa nesses 200 anos da independência num dialeto iluminista em que a inovação tecnológica redimensiona profissionalmente a livre informação, plural e relevante.

O dia do jornalista, em ano eleitoral, tanto no Brasil como na ABI, impõe aos jornalistas profissionais imperativos que só a liberdade, mãe da democracia, tem a legitimidade de promover.


* é Editor e Diretor da revista e portal IMPRENSA