"Transformo as situações cotidianas em algo que o público possa entender", diz o cartunista Ferreth

"Transformo as situações cotidianas em algo que o público possa entender", diz o cartunista Ferreth

Atualizado em 30/12/2008 às 16:12, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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"Já nasci desenhando", diz o cartunista Ferreth. Mesmo antes de aprender a ler, ele folheava gibis com histórias em quadrinhos e sabia narrá-las só de olhar as figuras. "Fui tomando gosto pelo desenho, meu pai dava força, comprava para mim cadernos para colorir. Sempre fui ligado na arte", explica.

Ferreth

Em 1970, no auge do movimento hippie, Ferreth foi do Rio Grande do Norte, seu estado natal, para o Rio de Janeiro. Segundo ele, sua mudança de cidade foi para acompanhar todas as manifestações e transformações que ocorriam na época.

No Rio, passou a acompanhar o trabalho de artistas como Ziraldo e Nani, e resolveu mandar seus desenhos para o Pasquim - publicação lançada no fim da década de 60 e considerado o veículo de comunicação mais influente de oposição à ditadura militar - onde trabalhavam os maiores cartunistas e ilustradores brasileiros. "Mas eu tinha medo de ser preso", diz Ferreth. "Os caras me diziam 'tem que enfiar o dedo na ferida', mas eu não estava a fim de ser preso".

Ferreth

Apesar de utilizar esse viés político em seus trabalhos, ele também ilustra livros didáticos, trabalha com publicidade e já fez desenhos para o "plim-plim", da Rede Globo. "Foram dois trabalhos; o primeiro, que mostrava um vagalume voando e sendo engolindo por um sapinho, eu bolei na casa do Ziraldo, às 2h da manhã", conta.

Ferreth

Colaborador do jornal carioca Extra há dez anos - onde faz o jogo de sete erros - Ferreth no já trabalhou no Jornal do Brasil, na Hora do Povo (SP), em O Dia, onde eram publicadas as tirinhas do personagem Dimenor. Em 1999, o personagem inspirou uma revista homônima. "A minha inspiração vem de coisas que vejo na rua, capto a idéia e transformo de uma maneira engraçada ou trágica para o público, que às vezes não está entendendo uma determinada situação", explica.

Para o cartunista, o espaço no mercado para artistas como ele é cada vez mais restrito. "Muitas vezes o empregador não entende que é um serviço profissional, de luta pela sobrevivência". Segundo Ferreth, "quem está no mercado, está. Quem não está, não está. Se você já tem um espaço consolidado e está trabalhando em jornal, existe mercado".

Ferreth

Ferreth é idealizador do "Encontro Anual dos Cartunistas", no Rio de Janeiro. A quarta edição, realizada nos dias 6 e 13 de dezembro, no Leme e em Ipanema, respectivamente, reúne os profissionais do ramo para uma confraternização. "É uma forma de trocarmos idéias e mostrarmos nossos trabalhos", conclui o organizador do evento.