"Transformo as situações cotidianas em algo que o público possa entender", diz o cartunista Ferreth
"Transformo as situações cotidianas em algo que o público possa entender", diz o cartunista Ferreth
"Já nasci desenhando", diz o cartunista Ferreth. Mesmo antes de aprender a ler, ele folheava gibis com histórias em quadrinhos e sabia narrá-las só de olhar as figuras. "Fui tomando gosto pelo desenho, meu pai dava força, comprava para mim cadernos para colorir. Sempre fui ligado na arte", explica.
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Em 1970, no auge do movimento hippie, Ferreth foi do Rio Grande do Norte, seu estado natal, para o Rio de Janeiro. Segundo ele, sua mudança de cidade foi para acompanhar todas as manifestações e transformações que ocorriam na época.
No Rio, passou a acompanhar o trabalho de artistas como Ziraldo e Nani, e resolveu mandar seus desenhos para o Pasquim - publicação lançada no fim da década de 60 e considerado o veículo de comunicação mais influente de oposição à ditadura militar - onde trabalhavam os maiores cartunistas e ilustradores brasileiros. "Mas eu tinha medo de ser preso", diz Ferreth. "Os caras me diziam 'tem que enfiar o dedo na ferida', mas eu não estava a fim de ser preso".
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Apesar de utilizar esse viés político em seus trabalhos, ele também ilustra livros didáticos, trabalha com publicidade e já fez desenhos para o "plim-plim", da Rede Globo. "Foram dois trabalhos; o primeiro, que mostrava um vagalume voando e sendo engolindo por um sapinho, eu bolei na casa do Ziraldo, às 2h da manhã", conta.
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Colaborador do jornal carioca Extra há dez anos - onde faz o jogo de sete erros - Ferreth no já trabalhou no Jornal do Brasil, na Hora do Povo (SP), em O Dia, onde eram publicadas as tirinhas do personagem Dimenor. Em 1999, o personagem inspirou uma revista homônima. "A minha inspiração vem de coisas que vejo na rua, capto a idéia e transformo de uma maneira engraçada ou trágica para o público, que às vezes não está entendendo uma determinada situação", explica.
Para o cartunista, o espaço no mercado para artistas como ele é cada vez mais restrito. "Muitas vezes o empregador não entende que é um serviço profissional, de luta pela sobrevivência". Segundo Ferreth, "quem está no mercado, está. Quem não está, não está. Se você já tem um espaço consolidado e está trabalhando em jornal, existe mercado".
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Ferreth é idealizador do "Encontro Anual dos Cartunistas", no Rio de Janeiro. A quarta edição, realizada nos dias 6 e 13 de dezembro, no Leme e em Ipanema, respectivamente, reúne os profissionais do ramo para uma confraternização. "É uma forma de trocarmos idéias e mostrarmos nossos trabalhos", conclui o organizador do evento.






