Trajetória de Clarice Lispector como jornalista é tema de TCC

Formada em Jornalismo pelo Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA), Paolla Gilson realizou um trabalho de pesquisa sobre o papel de C

Atualizado em 31/08/2017 às 10:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Crédito:Acervo pessoal
larice Lispector enquanto jornalista durante a década de 1970. As produções da autora abarcam crônicas, colunas femininas, reportagens e entrevistas.
“Clarice é uma autora hoje mundialmente conhecida e um dos maiores nomes da literatura brasileira do século XX, porém é pouco estudada pela comunicação no que diz respeito ao seu papel no jornalismo. Sua participação na imprensa foi significativa”, aponta Paolla.
Entre dezembro de 1976 e outubro de 1977, Clarice trabalhou para a revista Fatos e Fotos/Gente como entrevistadora. Seus trabalhos jornalísticos são considerados únicos pelo caráter imprevisto de suas reportagens e linguagem mais subjetiva utilizada na construção dos textos. As entrevistas são marcadas pelos diálogos.
“Minha pesquisa teve como objetivo investigar o papel da escritora como entrevistadora por meio da análise de suas principais entrevistas realizadas para a Fatos e Fotos/Gente para compreender de que maneira ela, já consagrada no âmbito literário, encontrou sua própria forma de expressão nesse gênero num cenário marcado pela presença de um modelo de jornalismo industrial que possui regras de objetividade e imparcialidade para a elaboração das atividades de imprensa”, afirma Paolla.
Algumas das dificuldades encontradas no processo foram lidar com a ansiedade, a responsabilidade e a procura de referenciais teóricos. “Também tive dificuldade para conseguir algumas fontes primárias (como documentos, fotografias, registros e assinaturas) e acabei não conseguindo todas que eu gostaria, mas isso não prejudicou a qualidade do trabalho”, aponta. Durante o processo, a jornalista afirma ter desenvolvido mais independência na busca por fontes e informações confiáveis. “Aprendi ainda a desenvolver melhor meu texto e encontrar diferentes caminhos narrativos e também sobre a importância de desenvolver pesquisas em qualquer área”, diz.
A partir do TCC, Paolla produziu o artigo “ ”, que foi apresentado no XXII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste promovido pela Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação) em parceria com o Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA). A experiência permitiu que Paolla encontrasse o caminho para a pós-graduação.
“A experiência de produzir o TCC representou uma oportunidade de desenvolver meu autoconhecimento e lidar melhor com as minhas emoções. Me fortaleceu de alguma forma porque pude superar ‘limites’. O trabalho fez com que eu aprimorasse técnicas de produção textual e pesquisa, me deixando mais preparada para a elaboração de outros projetos numa pós graduação ou mestrado, por exemplo. Além disso, estimulou ainda mais minha busca por conhecimento e por novos desafios na área”, declara.
Paolla dá dicas para quem ainda está na fase do TCC. “Eu aconselho que escolha um tema que goste e tenha afinidade já que é um trabalho que irá te acompanhar durante praticamente um ano. Faça uma etapa de cada vez dentro dos prazos: não deixe acumular tarefas porque é pior para fazer tudo junto depois. Escolha um orientador com quem você consiga se entender bem e tenha domínio sobre o assunto da sua pesquisa. E o mais importante: tenha calma porque se fizer tudo aos poucos e conforme o orientador indica dá tudo certo no final, por mais que muitas vezes pareça que não”, finaliza.
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