Traficantes ameaçam jornalistas e fotógrafos durante campanha eleitoral no Rio

Traficantes ameaçam jornalistas e fotógrafos durante campanha eleitoral no Rio

Atualizado em 28/07/2008 às 09:07, por Redação Portal IMPRENSA.

No último sábado (26), jornalistas e fotógrafos de O Globo , O Dia e Jornal do Brasil foram ameaçados por traficantes da comunidade Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte da cidade do Rio de Janeiro (RJ), enquanto acompanhavam a campanha do candidato à Prefeitura Marcelo Crivella (PRB), que fazia corpo-a-corpo com eleitores da região. Os bandidos - um deles armado com um fuzil - obrigaram os profissionais dos veículos a apagarem as fotos que haviam sido realizadas no local, visto que apareciam em algumas delas onde o candidato tentava cumprimentá-los. As imagens foram deletadas, mas recuperadas depois.

Diante do ocorrido, a assessoria de imprensa do Governo do Estado do Rio divulgou nota classificando o episódio como "gravíssimo" e ressaltando que "o direito de ir e vir de quaisquer candidatos e da imprensa é sagrado". Segundo o Governo do Estado são fatos como esse que tornam "evidente a necessidade de combate sem tréguas à criminalidade".

Apesar do incidente, os candidatos à Prefeitura da cidade disseram que vão continuar fazendo visitas às favelas e que não vão se curvar às exigências de "currais eleitorais", tampouco se deixarão intimidar pela presença de bandidos armados durante suas visitas às comunidades.

O próprio Marcello Crivella voltou a uma área favelizada, no último domingo (27), - a Vila Kennedy, na zona oeste. "Não aceito isso. Fico inconformado ao ver que na cidade em que nasci, eu, senador, tenho que ficar pedindo autorização ou ficar tolerando meninos armados de fuzil", disse o senador do PRB, que lidera as pesquisas de intenção de voto. Ninguém foi visto armado nos pontos por onde ele passou.

Jandira Feghali (PC do B), que também foi à Vila Cruzeiro no sábado (26), disse nunca ter passado por constrangimentos, seja a ostentação de armas por bandidos, ou a hostilidade por conta da imposição de "currais". "A gente não vai lá só pedir voto. Ando com lideranças locais que têm trabalhos realizados. Nenhum de nossos 200 candidatos a vereador tem ligação com traficante ou milícia". Eduardo Paes (PMDB) lembrou que nenhum candidato pode deixar de lado o contato direto com as comunidades, mas que não iria se submeter a "critérios de bandidos".

Para evitar que os traficantes determinem quem deve ser eleito, lideranças da Vila Kennedy promoveram um plebiscito em maio deste ano, para escolher cinco candidatos a vereador. Eles se filiaram ao PTC. "É a população da Vila Kennedy que vai escolher o melhor. Esse é nosso grito de liberdade", explicou o líder comunitário Jorge Azevedo, que faz campanha para os cinco, todos eles moradores antigos.

Chico Alencar (PSOL), indignado com as denúncias de reserva de votos em favelas, propôs um "pacto democrático contra os feudos eleitorais" para que todos os concorrentes assinem.

Segundo Fernando Gabeira (PV), as idas às favelas devem ser mantidas para que os moradores dessas regiões se sintam integrados à cidade. Alessandro Molon (PT) disse que mais importante do que garantir a integridade dos políticos, é preciso garantir a segurança dos moradores locais, mais suscetíveis a um possível ataque. Solange Amaral (DEM) destacou o descontrole na segurança pública do Rio.

Com informações do Estadão

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