Trabalho de estudante de jornalismo leva dados inéditos para Comissão da Verdade

Trabalho investigativo com documentos inéditos comprovaram que ex-bancário foi preso injustamente e morto com fortes indícios de tortura.

Atualizado em 23/06/2014 às 12:06, por Redação Portal IMPRENSA.

A estudante de jornalismo Jussara Santos Rodrigues fez um trabalho investigativo que desencadeou uma reviravolta na Comissão Nacional da Verdade (CNV). Por meio de documentos inéditos, legistas confirmaram que o ex-bancário Abelardo Rausch de Alcântara, morto há 44 anos durante o regime militar após ser preso pela Polícia do Exército em Brasília, foi detido injustamente e levado a óbito com fortes indícios de tortura. O corpo da vítima deverá ser exumado conforme decisão da Justiça.
Segundo a coluna Esplanada, do portal UOL, conselheiros da Comissão teriam avisado a jornalista que agora possuem convicção de que o ex-bancário é um morto político. Sob orientação da professora Angélica Cordova, a estudante fez pesquisas e entrevistas com familiares, amigos e legistas relacionados ao caso, e diz ter se motivado a buscar mais detalhes da morte de Abelardo após ler a versão oficial apresentada no livro coletânea ‘Direito à Verdade e à Memória’. “Vi que (a citação) estava muito complexa e vaga e resolvi investigar. Na internet tem algumas informações e desconfiei de todas. Então procurei a família'', conta a estudante.
Contratado como tesoureiro da Caixa, Abelardo foi acusado de ter roubado dinheiro da agência onde trabalhava e preso pela Polícia do Exército (PE), onde teria sido torturado no Pelotão de Investigações Criminais (PIC). De acordo com a coluna, o ex-bancário foi classificado pela PE como subversivo, mas não possuía relações com comunistas ou com grupos guerrilheiros à época. Após ser retirado do PIC com muitos ferimentos, o Exército teria simulado um acidente de carro e levou Abelardo para um hospital, onde faleceu.
Dias depois do acontecido, a Caixa informou em nota que o dinheiro havia reaparecido, mas não deu detalhes, conforme pesquisas da estudante, de como foi recuperado, e se o funcionário falecido foi acusado ou não.