Trabalho de conclusão é eleito o melhor do semestre e vira jornal comunitário no Distrito Federal

Ela se formou pelo Centro Universitário Estácio de Brasília, em 2016

Atualizado em 13/04/2018 às 08:04, por Redação Portal IMPRENSA.

Crédito:Acervo pessoal Formada em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio de Brasília, em 2016, Pollianna Franco decidiu abordar a comunicação comunitária em seu trabalho de conclusão de curso.
“A proposta foi estender os conceitos teóricos da comunicação comunitária para a prática jornalística, voltando o olhar para Ceilândia, cidade na periferia de Brasília com cerca de 600 mil habitantes, rica, plural, cultural, mas que figura nos meios de comunicação como uma das mais violentas e perigosas do Distrito Federal. Queria retratar a comunidade a partir do morador, das suas vivências”, conta.
Empoderar cidadãos, trabalhar o contra agendamento, fazer um jornalismo comunitário, construtivo, humanizado e colaborativo com a população de Ceilândia foram os desafios apontados por ele durante a realização do TCC.
Para concluir seu relatório, Pollianna organizou as informações, escreveu um texto claro, objetivo e gostoso de ler foi. Mesmo assim, ela lembra que a tarefa foi cansativa, demandou tempo e dedicação. Para o produto, um jornal impresso chamado “Comunicarte”, ela ministrou uma oficina de capacitação de dois meses para mais de 30 pessoas da comunidade – entre 15 e 63 anos de idade.
“Esses jornalistas-cidadãos participaram de todas as etapas de produção do impresso. Eu apenas mediei os processos, acompanhei e aconselhei. Vi que os moradores, ao abrir um jornal sobre a cidade, querem ler menos sangue e violência policial e ver mais coisas positivas sobre a comunidade”
A jornalista ainda conta que aprendeu que a comunidade tem voz e precisa de espaço para se manifestar, que todas as cidades têm coisas boas para mostrar, que seu papel é colaborar para a melhoria de sua cidade e que “a comunicação é horizontal, é uma troca, enquanto a informação é um processo de hierarquia, que vem de cima para baixo”
Para ela, todos os recém-formados em jornalismo deveriam sair com um olhar mais humanizado, menos superficial e mais voltado para a realidade do país e de sua comunidade. “São inúmeros os problemas sociais, na saúde, educação, segurança. Mas também são inúmeros os bons exemplos, as superações, os projetos que dão certo. Porém, esses não costumam ter espaço nos noticiários. Jornalismo empurrado goela abaixo” não acrescenta em nada. Jornalismo feito para as pessoas e com as pessoas, com qualidade, com olhar humanizado- esse ajuda na transformação social”
Crédito:Acervo pessoal Após a nota máxima dada pela banca examinadora, o TCC de Pollianna recebeu um certificado da faculdade como melhor trabalho do semestre, entre mais de 60 graduandos, uma apresentação na II Mostra de Iniciação Científica da Estácio Brasília, realizada em 2016, e uma seleção para palestrar no Rio de Janeiro, durante o IX Seminário de Pesquisa da Estácio e V Jornada de Iniciação Científica da Unesa.
“Desenvolvi, junto com uma amiga jornalista, Pâmela Paiva, o Ceilândia em Foco, tabloide impresso de circulação mensal na comunidade, com tiragem de 10 mil exemplares e distribuição gratuita, que aborda conceitos do jornalismo construtivo e humanizado e está na décima edição”, conta.
Polliana diz que para realizar esse tipo de trabalho é preciso foco e determinação “Pense como sendo o trabalho acadêmico da sua vida. Assuma o TCC como prioridade. Dê o seu máximo e, se possível escolha, seu professor orientador. Aquele mais exigente. Que extrai o melhor de você. Acredite no seu potencial e capacidade. Tenha orgulho do seu trabalho de conclusão de curso”