Trabalho de conclusão de curso: Rito de passagem II
Trabalho de conclusão de curso: Rito de passagem II
Preocupação social também está presente no trabalho da estudante do último ano de jornalismo da Universidade São Judas, Renata Pereira Ridel, 23 anos, que está fazendo um projeto de conclusão de curso sobre "Drogas e a desestruturação familiar". Para fazer o trabalho, Renata e seu grupo já conversaram com especialistas e visitaram diversas clínicas como a Clínica de Recuperação Santo Amaro. O formato escolhido foi livro-reportagem e seu grupo teve dois semestres para desenvolver o trabalho que deverá ser entregue e apresentado em novembro. Além do TCC, os alunos tiveram de desenvolver projetos experimentais em telejornalismo, radiojornalismo e impresso, além de cursar disciplinas. No terceiro ano os alunos tiveram de desenvolver um trabalho em webjornalismo. Renata destaca no curso da Universidade São Judas a nova grade de disciplinas.
A professora de jornalismo da Universidade São Judas e também professora da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), Rosemeire de Castro Fernandes, a preocupação do curso é que aluno se aprofunde na sua área de interesse. Muitos alunos conseguem tanto sucesso na realização de seus trabalhos, que alguns chegam a ser publicados, como no caso de um livro-reportagem sobre a importância da revista "Placar" no jornalismo esportivo. "Para uns o TCC é estressante, outros buscam a qualidade. Mas é sempre um desafio", conclui.
A estudante do último ano de jornalismo da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, Priscila Garcia Lobregatte, 25 anos, enfrentou um verdadeiro desafio ao escolher como tema de seu livro-reportagem as principais feiras de arte e artesanato de São Paulo, como a do Masp, da Praça Benedito Calixto, Bexiga, Praça da República e da Liberdade. Contando com a orientação do professor Igor Fuser, Priscila conseguiu material no Departamento Histórico e Geográfico do Município e no Arquivo do Estado de São Paulo, além de conversar com pessoas que trabalham e visitam as feiras. Ela conta que o trabalho ensinou muito como conduzir uma entrevista, fazer perguntas e até selecionar os entrevistados. O curso da Cásper Líbero representa para Priscila um sonho antigo, que agora pode pagar, mas que apresenta muitas falhas. Ela conta que há professores maravilhosos, mas alguns são despreparados e deveria haver mais cursos específicos dentro da grade de jornalismo e cursos que a faculdade apresenta como Jornalismo Cultural e Esportivo deveriam ser "mais em conta".
O professor e orientador da Cásper Líbero, Welington Andrade, diz que os alunos procuram fazer o TCC com muita seriedade e considera a experiência saudável, pois muitos trabalhos chegam a ser publicados como "A Casa do Delírio", sobre doentes mentais, de Douglas Tavolaro, publicado pela Editora SENAC. Em sua opinião, o curso da Cásper procura aliar a parte humanística com a reflexão do jornalismo, com ênfase na prática da profissão com jornais como "Esquinas de São Paulo" e rádio. No último ano, além do TCC os alunos têm de finalizar algumas disciplinas.
O TCC pode mudar não só a vida do aluno, mas de outras pessoas também. Prova disso é o trabalho de conclusão de curso da aluna de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), Roberta Namour, 21 anos. Roberta desenvolveu com seu grupo o projeto ComunicaBem com os alunos da Febem Brás, que aprenderam a fazer um jornal na prática, o "Jornal Bem-Comunicado". A tiragem do jornal será de 10 mil exemplares e será distribuído em 77 unidades da Febem. "São resultados incríveis, além de perceber que qualquer um pode escrever jornal, você vê que há saída para o jornalismo, não existem só jornalistas anti-éticos", diz. "Todos se surpreenderam, demos aulas para 16 alunos e no final da oficina eles falaram sobre a transformação na vida deles, pois se tornaram mais autoconfiantes e conseguem se expressar melhor", comemora. Quanto ao curso, ela diz que têm falhas, mas tem uma infraestrutura muito boa de laboratórios de rádio, televisão e jornal, como o "Rudge Ramos Jornal", que tem tiragem de 25 mil exemplares.
O professor de jornalismo e orientador da UMESP, Valdir Boffeti, explica que o TCC é um momento importante no curso, em que é possível fazer um trabalho de qualidade, em que no final uma banca específica avaliará o trabalho do aluno. "Os alunos dão muita importância e até peço para eles calma, para irem amadurecendo as idéias. Vão passar por stress, mas é um momento muito valorizado, em que os alunos apresentam resultados excepcionais", destaca. O TCC, que os alunos na Metodista podem escolher entre rádio, livro-reportagem, documentário e monografia tem um ano para ser desenvolvido, paralelamente com as disciplinas de último curso e é entregue e apresentado em novembro. "Ele é um indicador da qualidade do curso, revela a formação do aluno e aplicação de conhecimentos", define. Não só indicador de conhecimento, o TCC ou projeto experimental, indica amadurecimento do aluno. Do amadurecimento de Franciscos, Thiagos, Renatas, Priscilas e Robertas que se prepararão para um desafio maior do que o do vestibular: o da vida.






