Tonico Ferreira e Paulo Moreira Leite relembram a imprensa na ditadura

Jornalistas falaram com o Portal IMPRENSA no lançamento do projeto "Resistir é Preciso"

Atualizado em 28/06/2011 às 13:06, por Luiz Gustavo Pacete.

Na noite desta segunda-feira (27), o Portal IMPRENSA acompanhou o lançamento do , uma série de projetos desenvolvidos pelo que, em sua primeira fase, consiste em uma coletânea de 12 DVDs, com depoimentos de 60 jornalistas que atuaram na imprensa alternativa, durante os anos de 1964 e 1979.

Ao Portal IMPRENSA, os jornalistas Tonico Ferreira, repórter da TV Globo, e Paulo Moreira Leite, colunista da revista Época e um dos apresentadores do Roda Viva, comentaram o sentimento de ter enfrentado os anos na ditadura estando na imprensa alternativa.
Crédito: Instituto Vladimir Herzog Tonico Ferreira, repórter da TV Globo
Para Ferreira, apesar de muitos terem tentado, não foi possível fazer o que chamam de imprensa alternativa. "Durante muitos anos, muita gente tentou fazer uma imprensa alternativa, mas ninguém conseguiu. E mesmo depois daquela época, os jornais mudaram, se democratizaram, mas não são alternativos", afirma.
Ferreira destaca que um dos momentos de maior lembrança de sua carreira foi quando atuou no jornal Opinião, na década de 1970, e que o Brasil vivia seu pior momento político. "Me orgulho daquele momento, pois mesmo com todas as dificuldade, fizemos nosso trabalho de jornalistas sem partir para a violência", relembra.
Já para Paulo Moreira Leite, um projeto como este serve para documentar um momento em que os próprios jornalistas não conseguiram registrar e organizar. "Para mim, este material tem muito mais valor para os novos jornalistas que não viveram aquele momento, eu vivi, aprendi e estou aqui". Moreira destaca que muitas vezes as novas gerações se distanciam destes jornalistas, porque os veem como super heróis, mas na verdade são pessoas normais. "Me considero de uma geração vitoriosa, mas que muitas vezes se frustra de ver resquicios daquela época ainda no poder", destaca. Crédito: Instituto Vladimir Herzog Paulo Moreira Leite, repórter da revista Época
Ícones da resistência

Reunidos no Memorial da Resistência (antigo DOPS), no centro de São Paulo (SP), dezenas de jornalistas que vivenciaram os anos da ditadura celebraram a possibilidade de relembrar e documentar um momento que não pode passar despercebido. Ivo Herzog destacou que a data também comemora os 74 anos de seu pai, Vladimir Herzog, e deixou aos presentes uma das frases de "Vlado". "Se estamos indignados não devemos guardar essa indignação,mas colocá-la para forá".
Em carta, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, celebrou a iniciativa e destacou a importância dos jornalistas para aquele momento da sociedade brasileira. "é um evento de grande importância, pois celebra os jornalistas como um dos principais grupos de resistência à repressão". O secretário especial de direitos humanos da cidade de São Paulo, José Gregório, também ressaltou a importância do evento. "fico de feliz que ver que momentos tão importantes da sociedade brasileira sejam documentados", destacou.