Tom Wolfe diz que história de Snowden é "maravilhosa para o jornalismo"
Em entrevista ao jornal espanhol El País Brasil, o jornalista e escritor americano Tom Wolfe, considerado um dos fundadores do&nbs
Atualizado em 01/04/2014 às 12:04, por
Redação Portal IMPRENSA.
Em entrevista ao jornal espanhol El País Brasil , o jornalista e escritor americano Tom Wolfe, considerado um dos fundadores do new journalism , movimento jornalístico dos anos 60 e 70 falou sobre seu novo e talvez último romance — "Sangue nas Veias"—, os desafios da carreira e os atuais cenários da comunicação, como a história de Edward Snowden, a qual considera "maravilhosa para o jornalismo".
Crédito:Divulgação Jornalista ressaltou a importância de Snowden para o jornalismo
Questionado sobre o ativismo de Glenn Greenwald e Michel Moore, Wolfe disse que cineasta consegue fazê-lo de um modo divertido, acrescentando que sua pauta para Snowden seria uma aproximação com o ex-analista para avaliar suas verdadeiras motivações. Para ele, a solução contra a espionagem seria o retorno ao analógico. "Eu não diria que Snowden é um traidor, mas sim que atuou de forma traiçoeira. Sabia que estava ferindo seu país, mas ao mesmo tempo tinha ideais. Essas ferramentas de investigação em nome da nossa segurança que ele trouxe à luz... Trata-se de uma informação com muitíssimo valor! Não podemos nem imaginar a quantidade de dados com o qual esses sistemas lidam", disse.
Wolfe lamentou o abuso da primeira pessoa do singular entre os efeitos negativos do Novo Jornalismo. "Uma falha que eu mesmo cometi. Meu primeiro texto, "Kandy-Kolored Tangerine-Flake Streamline Baby", sobre a cultura automobilística da Califórnia, eu comecei escrevendo: 'A primeira vez que vi carros tunados...'. A menos que você seja parte da trama, acho que é um erro escrever na primeira pessoa", explicou.
Sobre o novo livro, que retrata uma Miami repleta de imigrantes e conflitos culturais, o jornalista esclarece que o turismo costumava ser a primeira indústria na cidade. Agora, são o trasporte e os bancos, alteração feita pelos hispânicos. "Quis refletir essa situação no primeiro capítulo do romance, em que minha figura central, o policial Néstor Camacho, sente desprezo por dos dois companheiros anglo-saxões com os quais faz patrulha de barco", alegou.
Ao comentar sobre sua experiência com os Merry Pranksters, hippies sobre os quais escreveu no clássico "Ponche de Ácido Lisérgico", o escritor garantiu que apesar do grupo utilizar uma grande quantidade de entorpecentes, ele nunca experimentou. "Uma das coisas boas do jornalismo é que lhe força a fazer coisas atípicas, mas ao mesmo tempo obriga você a se manter sóbrio", acrescentou.
Crédito:Divulgação Jornalista ressaltou a importância de Snowden para o jornalismo
Questionado sobre o ativismo de Glenn Greenwald e Michel Moore, Wolfe disse que cineasta consegue fazê-lo de um modo divertido, acrescentando que sua pauta para Snowden seria uma aproximação com o ex-analista para avaliar suas verdadeiras motivações. Para ele, a solução contra a espionagem seria o retorno ao analógico. "Eu não diria que Snowden é um traidor, mas sim que atuou de forma traiçoeira. Sabia que estava ferindo seu país, mas ao mesmo tempo tinha ideais. Essas ferramentas de investigação em nome da nossa segurança que ele trouxe à luz... Trata-se de uma informação com muitíssimo valor! Não podemos nem imaginar a quantidade de dados com o qual esses sistemas lidam", disse.
Wolfe lamentou o abuso da primeira pessoa do singular entre os efeitos negativos do Novo Jornalismo. "Uma falha que eu mesmo cometi. Meu primeiro texto, "Kandy-Kolored Tangerine-Flake Streamline Baby", sobre a cultura automobilística da Califórnia, eu comecei escrevendo: 'A primeira vez que vi carros tunados...'. A menos que você seja parte da trama, acho que é um erro escrever na primeira pessoa", explicou.
Sobre o novo livro, que retrata uma Miami repleta de imigrantes e conflitos culturais, o jornalista esclarece que o turismo costumava ser a primeira indústria na cidade. Agora, são o trasporte e os bancos, alteração feita pelos hispânicos. "Quis refletir essa situação no primeiro capítulo do romance, em que minha figura central, o policial Néstor Camacho, sente desprezo por dos dois companheiros anglo-saxões com os quais faz patrulha de barco", alegou.
Ao comentar sobre sua experiência com os Merry Pranksters, hippies sobre os quais escreveu no clássico "Ponche de Ácido Lisérgico", o escritor garantiu que apesar do grupo utilizar uma grande quantidade de entorpecentes, ele nunca experimentou. "Uma das coisas boas do jornalismo é que lhe força a fazer coisas atípicas, mas ao mesmo tempo obriga você a se manter sóbrio", acrescentou.





