"Todos os jornalistas precisam estar atentos à tecnologia", diz editor do "Link"
Em 1987, Alexandre Matias tinha 12 anos e não imaginava ser editor de um dos maiores cadernos de tecnologia do país, o "Link", do
Crédito: Agência Estado
Há cinco anos editando o Link, Matias diz que aos 12 anos nem cogitava ser jornalista, muito menos de tecnologia. Ele acompanhava o tema com certa dificuldade e de vez em quando. “A cobertura era reduzida aos entusiastas da área, havia reserva de mercado no país devido a ditadura militar e defasagem da indústria nacional”, lembra.
Os jornais da época não tinham nenhum caderno específico para o assunto. “Era antes uma cobertura que acontecia nos cadernos de economia e, ocasionalmente, algum outro caderno trazia alguma novidade relacionada com outros temas”, diz.
Falar de tecnologia não só não era um tema comum ao público geral, como quem quisesse se "envolver" encontrava dificuldades porque não tinha nem como comprar equipamentos, por exemplo.
Crédito: Reprodução/ Folha de S.Paulo 5/08/1987 Crédito: Reprodução/ O Estado de S. Paulo (Link) - 29/08/2012
No entanto, a partir dos anos 90, com a abertura do país para importações, o interesse dos leitores pelo assunto aumentou a tal ponto que os jornais criaram cadernos de informática, revistas e telejornais focavam mais o tema, mostrando quais os melhores computadores e comparando peças.
Na época, existiam várias marcas e as pessoas montavam suas máquinas. Atualmente, segundo Matias, não há tanto a necessidade do jornalista indicar quais os melhores computadores ou produtos, “mas também de analisar quais são e o que as pessoas fazem com esses produtos.”
No dia a dia Logo depois, no meio dos anos 90 veio o 'boom' da internet. O surgimento da web comercial aumentou ainda mais o interesse dos leitores, fazendo com que internet e tecnologia deixassem de ser interessantes apenas para grupos específicos, para ocupar um “papel central no dia a dia das pessoas.” "Se cortar para 2012, você tem uma imposição muito grande do tema", diz.
A chegada da internet no celular, comenta Matias, fez a tecnologia deixar de interessar somente àquele amigo 'nerd' da turma. "Passou a ser uma obrigação da maioria das pessoas para ter e usufruir o melhor desse novo ambiente", explica.
O jornalista acrescenta que isso não só diz respeito apenas ao mundo dos computadores, da internet ou da internet no celular, mas também das redes sociais, das mudanças que houveram em relação a auto-publicação, possibilidade de cada um produzir e veicular conteúdos. "Você tem toda a transição no consumo de mídia como um todo", analisa. "Isso mudou completamente a forma como as pessoas encaram o jornalismo feito por pessoas comuns", completa.
Matias explica que várias coisas que deixaram de ter a ver com a tecnologia pura e simples, mas com a forma que as pessoas utilizam essas ferramentas e equipamentos. "Isso mostra que a cobertura hoje não está voltada só aos produtos ou só ao ambiente digital", reitera. O próprio "Link", que surgiu em 1991, se chamou "Caderno de Informática" até 2004 quando houve a mudança, já com o enfoque maior no que as pessoas fazem com os equipamentos do que com os equipamentos em si.
Como jornalista, Matias bate na tecla que o jornalismo como um todo deve atentar para questões como privacidade e funcionamento dos governos. “Precisamos estar atentos a todos esses desdobramentos, porque a tecnologia hoje em dia funciona como ferramenta para irmos rascunhando aos poucos como será o futuro”, finaliza.
Leia a matéria completa na edição de julho (282) de IMPRENSA.* Com supervisão de Vanessa Gonçalves






