Todo mundo precisa de um jornalista por perto

Nesta apresentação, Juca Guimarães traz sua experiência, olhar e escuta, como jornalista colaborativo

Atualizado em 20/01/2026 às 16:01, por Redação.

Imagem fotográfica de uma revoada de andorinhas em pleno voo. As aves aparecem próximas umas das outras, espalhadas pelo céu, com asas abertas em diferentes posições, transmitindo sensação de movimento coletivo. Ao fundo, vê-se um céu azul claro com algumas nuvens suaves.

Revoada de andorinhas (IA)


Por Juca Guimarães

Nas últimas décadas, o curso de graduação em jornalismo e o interesse pela área da comunicação social sofreram grandes influências dos avanços tecnológicos e das mudanças significativas causadas pela globalização. 

Já completei mais de 30 anos de carreira e vi diante de mim, na telinha do computador, muitas dessas mudanças acontecendo em tempo real. 

É evidente, no entanto, que a essência da atividade dos profissionais de comunicação permanece, sobretudo, para os repórteres. São elas e eles que garimpam as notícias no dia-a-dia e buscam informações, fatos e declarações relevantes sobre os mais diversos assuntos. 

No dinamismo dos dias atuais, é cada vez mais profunda a relevância do trabalho dos profissionais da imprensa. A notícia é uma commodity tão valiosa e tangível quanto o ouro.

Era um clichê no cinema a cena em que uma determinada personagem, diante de uma situação dramática, questiona ao entorno se existe um médico no local. O ponto de inflexão na trama é que o desfecho dessa cena pode representar a vida ou a morte de alguém no filme.

Nota-se, evidentemente, um certo paralelo com o jornalismo colaborativo e hiperlocal, temas que serão recorrentes nesta coluna daqui para frente. 

 

A informação mais completa e comprometida com o interesse do público vem, diretamente, dos esforços coletivos de jornalistas e de pequenos veículos de comunicação espalhados mundo afora

Tive a sorte de atuar nos mais variados modelos de redação e projetos de comunicação. Palestrei para muitas salas de aulas de cursos de jornalismo e sempre pontuei que a melhor cobertura é feita por quem entende e conhece os territórios, quem se aproxima das pessoas, quem reconhece as dores das comunidades e mantém uma escuta atenta no que o povo verbaliza. A palavra, assim como o poder, emana das ruas do povo.

O jornalismo se faz relevante quanto consegue responder prontamente e com rigor de apuração às sutis alterações presentes no tecido social cotidiano. Ter sempre um jornalista por perto, de olho nas notícias e nos seus desdobramentos é fundamental e, em muitos casos, também pode representar a manutenção da vida de alguém no mundo real. 
 

*Juca Guimarães, paulistano, é jornalista desde 1996, atua como repórter, roteirista e documentarista. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo, Rede Globo, Alma Preta Jornalismo, Ponte Jornalismo, entre outros.