Todo mundo precisa de um jornalista por perto
Nesta apresentação, Juca Guimarães traz sua experiência, olhar e escuta, como jornalista colaborativo
Revoada de andorinhas (IA)
Por Juca Guimarães
Nas últimas décadas, o curso de graduação em jornalismo e o interesse pela área da comunicação social sofreram grandes influências dos avanços tecnológicos e das mudanças significativas causadas pela globalização.
Já completei mais de 30 anos de carreira e vi diante de mim, na telinha do computador, muitas dessas mudanças acontecendo em tempo real.
É evidente, no entanto, que a essência da atividade dos profissionais de comunicação permanece, sobretudo, para os repórteres. São elas e eles que garimpam as notícias no dia-a-dia e buscam informações, fatos e declarações relevantes sobre os mais diversos assuntos.
No dinamismo dos dias atuais, é cada vez mais profunda a relevância do trabalho dos profissionais da imprensa. A notícia é uma commodity tão valiosa e tangível quanto o ouro.
Era um clichê no cinema a cena em que uma determinada personagem, diante de uma situação dramática, questiona ao entorno se existe um médico no local. O ponto de inflexão na trama é que o desfecho dessa cena pode representar a vida ou a morte de alguém no filme.
Nota-se, evidentemente, um certo paralelo com o jornalismo colaborativo e hiperlocal, temas que serão recorrentes nesta coluna daqui para frente.
A informação mais completa e comprometida com o interesse do público vem, diretamente, dos esforços coletivos de jornalistas e de pequenos veículos de comunicação espalhados mundo afora
Tive a sorte de atuar nos mais variados modelos de redação e projetos de comunicação. Palestrei para muitas salas de aulas de cursos de jornalismo e sempre pontuei que a melhor cobertura é feita por quem entende e conhece os territórios, quem se aproxima das pessoas, quem reconhece as dores das comunidades e mantém uma escuta atenta no que o povo verbaliza. A palavra, assim como o poder, emana das ruas do povo.
O jornalismo se faz relevante quanto consegue responder prontamente e com rigor de apuração às sutis alterações presentes no tecido social cotidiano. Ter sempre um jornalista por perto, de olho nas notícias e nos seus desdobramentos é fundamental e, em muitos casos, também pode representar a manutenção da vida de alguém no mundo real.

*Juca Guimarães, paulistano, é jornalista desde 1996, atua como repórter, roteirista e documentarista. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo, Rede Globo, Alma Preta Jornalismo, Ponte Jornalismo, entre outros.





