Tim Lopes era “plural na sua maneira de fazer jornalismo”, diz filho, autor de documentário

"Histórias de Arcanjo - Um documentário sobre Tim Lopes" conta a trajetória de Antonino Lopes do Nascimento, considerado um dos maiores repórteres investigativos do Brasil e conhecido pela sua forma de fazer jornalismo.

Atualizado em 18/10/2013 às 16:10, por Alana Rodrigues*.

documentário sobre Tim Lopes" conta a trajetória de Antonino Lopes do Nascimento, considerado um dos maiores repórteres investigativos do Brasil e conhecido pela sua forma de fazer jornalismo. O filme foi vencedor do prêmio de Melhor Documentário do Festival do Rio 2013.


Crédito:Arquivo pessoal Para Quintella, reviver a trajetória de Tim Lopes o aproximou do pai


O roteiro é de Bruno Quintella, filho do jornalista, com direção e fotografia de Guilherme Azevedo, cinegrafista que trabalhou com Lopes em diversas reportagens de denúncias.


Segundo Quintella, produzir o documentário foi uma maneira de matar a saudade do pai e descobrir histórias sobre ele. “O filme é uma maneira de me aproximar não só do pai, mas do homem, do ser humano que era — e não do ídolo”, diz.


Lopes foi morto por traficantes enquanto fazia uma reportagem sobre tráfico de drogas e abuso de menores em bailes funks da Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro (RJ), no dia 2 de junho de 2002. Segundo as investigações, ele foi torturado, teve o corpo esquartejado e queimado em uma fogueira de pneus de carro, chamado pelos criminosos de “micro-ondas”.


Apesar da morte brutal e tão repercutida, o filme busca dar destaque à vida de Tim Lopes. Quintella relata que todos sabiam como e por que o pai havia sido assassinado. No entanto, poucos tinham conhecimento sobre sua história.


Para ele, o Tim Lopes retratado no filme é “o homem plural na sua maneira de fazer jornalismo”. Ele lembra que o pai vivenciava a experiência das pessoas e narrava o que via como se fosse sua própria história. “Literalmente, ele se colocava no lugar do outro e fazia desse laboratório sua fonte de inspiração”, revela


As filmagens na Vila Cruzeiro e na Pedra do Sapo, local onde Tim foi capturado e assassinado, foi o momento mais difícil para filho durante a produção do documentário. “Não penso em voltar lá, porque mexeu muito comigo, ao mesmo tempo que pude espantar alguns fantasmas”.


Quintella, também jornalista, considera que a morte do pai foi um “divisor de águas” na questão de coberturas em zonas de riscos. “Os jornalistas devem confiar em seu bom senso e não arriscar a vida sob hipótese nenhuma. A segurança em primeiro lugar. Esse deve ser o pensamento do repórter e de sua chefia”, completa.


O documentário será exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo nos dias 20, 30 e 31 deste mês. Mais informações no .


* Com supervisão de Vanessa Gonçalves


Assista ao trailer:



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