“Ter boas fontes me deu mais segurança”, diz Mauro Naves, sobre trabalho em Copas
Repórter da TV Globo, Mauro Naves fala sobre sua experiência na cobertura de Copas do Mundo.
Atualizado em 02/06/2014 às 14:06, por
Lucas Carvalho.
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Para quem é apaixonado por futebol há, pelo menos, duas décadas, não há como imaginar as transmissões esportivas da Rede Globo sem seu rosto e sua voz. Mauro César Vieira Naves, ou simplesmente Mauro Naves, se formou em estatística antes de cursar comunicação social, e por muito pouco o Brasil não perdeu um mito do jornalismo esportivo para a matemática.
O jornalista atuava na TV Globo de Brasília, no fim da década de 1980, quando uma reportagem sua sobre um torneio de tênis local foi exibida no “Jornal Nacional”. Era a primeira vez que uma matéria de esportes deixava sucursal brasiliense e alcançava o noticiário em rede. Foi também o primeiro passo de Mauro Naves no jornalismo esportivo, carreira que o levaria a cobrir quatro Copas do Mundo e lhe garantiria o passe para atuar em um Mundial em solo brasileiro.
Em entrevista à IMPRENSA, o jornalista fala sobre sua experiência em competições nacionais e internacionais, as dificuldades de trabalhar à beira do campo e as expectativas para a Copa do Mundo 2014 no Brasil.
Crédito:Divulgação/TV Globo O repórter Mauro Naves é um dos destaques na cobertura da Copa do Mundo
IMPRENSA - Como foi sua primeira experiência como repórter em uma Copa do Mundo? Mauro Naves - Tenho ótimas lembranças da minha primeira Copa. Foi a da França, em 1998. Havia uma preocupação grande da minha parte em corresponder à expectativa daqueles que me escalaram. Entre os repórteres que estavam cobrindo a Seleção Brasileira eu era o único que estava em uma Copa pela primeira vez, mas creio que me saí bem. Tinha um bom relacionamento com vários jogadores do grupo, principalmente com o Cafu, Roberto Carlos, Edmundo e Rivaldo. Ter boas fontes me deu mais segurança e me ajudou no controle da ansiedade. O prazer de participar da cobertura só não foi maior por causa da derrota na final para a França.
Como jornalista, qual foi a Copa que mais te marcou?
A da França sempre será devidamente lembrada de forma carinhosa, exatamente por ter sido a primeira. Mas, sem dúvida, a mais especial foi a de 2002, na Coréia/Japão. Foram 56 dias acompanhando o Felipão que, inicialmente, fez questão de deixar claro que não queria, digamos, muita intimidade com a imprensa. Não foi fácil quebrar essa barreira de relacionamento. Isso só foi possível na medida em que o time foi ganhando e a “família Scolari” se consolidando como um grupo vencedor.
Felipão foi aos poucos relaxando e percebendo que a imprensa não jogava contra. Foi uma longa cobertura, com muitas viagens, porque além do fato desta Copa ter sido disputada em dois países, o trabalho de preparação passou pela Espanha e Malásia. Foi inesquecível ver de perto uma conquista brasileira. Outro fato muito marcante foi eu ter retornado ao Brasil no avião da Seleção, foram 24 horas de entrevistas, comemoração e muita “resenha”, como os jogadores definem o bate papo entre eles.
Qual a diferença entre atuar em campeonatos no Brasil e em competições fora do país?
Aqui é mais fácil porque você conhece as regras das federações e da CBF no que diz respeito ao comportamento da imprensa dentro e fora de campo. O que nos permite buscar atalhos, seja para se aproximar dos jogadores ou mesmo gravar qualquer outra coisa. Fora do Brasil é diferente, a gente naturalmente não se sente tão à vontade para trabalhar e devemos cumprir regras, que costumam ser muito rígidas.
Para você, quais são os desafios de atuar como repórter em uma Copa do Mundo?
Para um repórter como eu, que praticamente só trabalha com futebol, estar em uma Copa é o auge da carreira. Costumo redobrar a atenção, pois a concorrência é enorme entre veículos nacionais e estrangeiros. O maior desafio é conseguir alguma informação exclusiva.
Qual é a sua expectativa para cobrir, pela primeira vez, uma Copa em solo brasileiro?
Será uma experiência bastante interessante. Nas quatro Copas anteriores, vivenciei situações bem distintas em relação à organização, infraestrutura de trabalho, locomoção e hospedagem. Por isso, estou curioso para ver, após tantas discussões sobre a viabilidade ou não de uma Copa no Brasil, como iremos nos sair.
Quais dificuldades e desafios você imagina que a imprensa deve enfrentar nesse Mundial?
Por causa do tamanho continental do Brasil, o deslocamento entre as sedes será um problema não apenas para a imprensa como também para o torcedor. Para os que virão do exterior, a língua também será uma barreira a ser superada, porque é pequeno o percentual da população que fala inglês ou outra língua. Para a parte da imprensa nacional que ainda não teve a oportunidade de acompanhar uma competição deste nível no exterior, o maior problema será a rigidez das regras. Na Copa, não será possível usar o famoso “jeitinho brasileiro” para conseguir uma boa reportagem.
Acompanhe o especial "A IMPRENSA na Copa do Mundo". .
*Com supervisão de Thaís Naldoni
Para quem é apaixonado por futebol há, pelo menos, duas décadas, não há como imaginar as transmissões esportivas da Rede Globo sem seu rosto e sua voz. Mauro César Vieira Naves, ou simplesmente Mauro Naves, se formou em estatística antes de cursar comunicação social, e por muito pouco o Brasil não perdeu um mito do jornalismo esportivo para a matemática.
O jornalista atuava na TV Globo de Brasília, no fim da década de 1980, quando uma reportagem sua sobre um torneio de tênis local foi exibida no “Jornal Nacional”. Era a primeira vez que uma matéria de esportes deixava sucursal brasiliense e alcançava o noticiário em rede. Foi também o primeiro passo de Mauro Naves no jornalismo esportivo, carreira que o levaria a cobrir quatro Copas do Mundo e lhe garantiria o passe para atuar em um Mundial em solo brasileiro.
Em entrevista à IMPRENSA, o jornalista fala sobre sua experiência em competições nacionais e internacionais, as dificuldades de trabalhar à beira do campo e as expectativas para a Copa do Mundo 2014 no Brasil.
Crédito:Divulgação/TV Globo O repórter Mauro Naves é um dos destaques na cobertura da Copa do Mundo
IMPRENSA - Como foi sua primeira experiência como repórter em uma Copa do Mundo? Mauro Naves - Tenho ótimas lembranças da minha primeira Copa. Foi a da França, em 1998. Havia uma preocupação grande da minha parte em corresponder à expectativa daqueles que me escalaram. Entre os repórteres que estavam cobrindo a Seleção Brasileira eu era o único que estava em uma Copa pela primeira vez, mas creio que me saí bem. Tinha um bom relacionamento com vários jogadores do grupo, principalmente com o Cafu, Roberto Carlos, Edmundo e Rivaldo. Ter boas fontes me deu mais segurança e me ajudou no controle da ansiedade. O prazer de participar da cobertura só não foi maior por causa da derrota na final para a França.
Como jornalista, qual foi a Copa que mais te marcou?
A da França sempre será devidamente lembrada de forma carinhosa, exatamente por ter sido a primeira. Mas, sem dúvida, a mais especial foi a de 2002, na Coréia/Japão. Foram 56 dias acompanhando o Felipão que, inicialmente, fez questão de deixar claro que não queria, digamos, muita intimidade com a imprensa. Não foi fácil quebrar essa barreira de relacionamento. Isso só foi possível na medida em que o time foi ganhando e a “família Scolari” se consolidando como um grupo vencedor.
Felipão foi aos poucos relaxando e percebendo que a imprensa não jogava contra. Foi uma longa cobertura, com muitas viagens, porque além do fato desta Copa ter sido disputada em dois países, o trabalho de preparação passou pela Espanha e Malásia. Foi inesquecível ver de perto uma conquista brasileira. Outro fato muito marcante foi eu ter retornado ao Brasil no avião da Seleção, foram 24 horas de entrevistas, comemoração e muita “resenha”, como os jogadores definem o bate papo entre eles.
Qual a diferença entre atuar em campeonatos no Brasil e em competições fora do país?
Aqui é mais fácil porque você conhece as regras das federações e da CBF no que diz respeito ao comportamento da imprensa dentro e fora de campo. O que nos permite buscar atalhos, seja para se aproximar dos jogadores ou mesmo gravar qualquer outra coisa. Fora do Brasil é diferente, a gente naturalmente não se sente tão à vontade para trabalhar e devemos cumprir regras, que costumam ser muito rígidas.
Para você, quais são os desafios de atuar como repórter em uma Copa do Mundo?
Para um repórter como eu, que praticamente só trabalha com futebol, estar em uma Copa é o auge da carreira. Costumo redobrar a atenção, pois a concorrência é enorme entre veículos nacionais e estrangeiros. O maior desafio é conseguir alguma informação exclusiva.
Qual é a sua expectativa para cobrir, pela primeira vez, uma Copa em solo brasileiro?
Será uma experiência bastante interessante. Nas quatro Copas anteriores, vivenciei situações bem distintas em relação à organização, infraestrutura de trabalho, locomoção e hospedagem. Por isso, estou curioso para ver, após tantas discussões sobre a viabilidade ou não de uma Copa no Brasil, como iremos nos sair.
Quais dificuldades e desafios você imagina que a imprensa deve enfrentar nesse Mundial?
Por causa do tamanho continental do Brasil, o deslocamento entre as sedes será um problema não apenas para a imprensa como também para o torcedor. Para os que virão do exterior, a língua também será uma barreira a ser superada, porque é pequeno o percentual da população que fala inglês ou outra língua. Para a parte da imprensa nacional que ainda não teve a oportunidade de acompanhar uma competição deste nível no exterior, o maior problema será a rigidez das regras. Na Copa, não será possível usar o famoso “jeitinho brasileiro” para conseguir uma boa reportagem.
Acompanhe o especial "A IMPRENSA na Copa do Mundo". .
*Com supervisão de Thaís Naldoni






