Tente outra vez
Tente outra vez
Já dizia o sábio Raul Seixas, para o torcedor na hora em que foi comprar um ingresso:
...
Apesar de tanta: pobreza, miséria, desmatamento, ignorância, despreparo, corrupção e burocracia, estamos entre as 12 maiores potências do mundo ocidental capitalista. Essa análise mostra que temos um caráter consumidor e um grande futuro. Alguns hábitos ganham força, no nosso dia-dia, na hora de comprar. Nessa semana, percebi isso em cinco situações diferentes no exato momento da consumação da compra. Vamos a elas:
O primeiro exemplo é bem simples, ao entrar em uma banca de jornal - do Bento, na Rua Itambé - Higienópolis/SP, manuseava as revistas, olhava as manchetes dos jornais, ao decidir qual jornal iria levar, o jornaleiro, bem humorado afirmou:
- não quer que coloque em uma sacolinha?
Já no segundo exemplo, foi em um posto de gasolina, Ipiranga, da Rua Estela/Paraíso/SP. Ao parar para colocar os tradicionais cinquentinha de gasosa, o frentista, perguntou:
-vamos dar uma olhadinha na água e óleo? Aceita um cafezinho? É por conta da casa.
O terceiro exemplo vem de um mercadinho perto de casa, na Vila Mariana. No Tudo Tem. E tem mesmo. Ao entrar, o Vanderlei perguntou:
- Olha, a pipoca acabou de sair da panela. É só pegar.
A quarta parada aconteceu em uma loja do Pão de Açúcar ou Extra, sempre confundo os dois, na Rua Conselheiro Rodrigues Alves/Vila Mariana/SP. Ao passar pelo caixa, a menina afirmou:
- O senhor tem o cartão Mais? Algum produto que o senhor procurou e não encontrou na loja?
Até aqui tudo bem. Nada de novo. Com certeza você já passou por situações idênticas. A preocupação com a fidelização, com o bom atendimento, com a atenção ao consumidor, não só prestar serviço, mas atender, chegar mais junto. Fazer o cliente se sentir em casa e ter prazer em estar lá. Perceber que suas ações são voltadas para o seus bem estar. Isso é gostoso. Tomar um café, conhecer o nome do funcionário ou dono do estabelecimento, uma sacolinha, um simples café, são atitudes que transformam o ato do consumo e da compra em uma palavra chave dentro da estrutura do negócio: RELACIONAMENTO.
Agora, você me pergunta, e o quinto exemplo.
Esse é especial, cheguei até aqui, para falar dele. Ele é fascinante. Pois, além da necessidade do consumo, envolve paixão, amor e um forte enraizamento de coração, ou melhor, de alma. O CLUBE DE CORAÇÃO.
Pergunta: Qual o motivo, que na hora da compra de qualquer produto ou serviço, até mesmo no banco, eu vejo o ambiente, converso e brinco com o caixa, até vejo e acho bonita a funcionária, a Deborah - acho que é assim o nome dela - na hora chata de pagar uma conta no Banco Real. Mas, quando vou ao balcão para comprar um ingresso de uma partida de futebol, seja qual for o clube, não vejo quem vende, não sei seu nome, estou fortemente separado por grades de invejar a divisa Israel/Árabes e ainda por cima, não recebo nota fiscal?
É mais uma crítica que faço, sou chato, mas antes de tudo sou consumidor. Não dá para admitir a paixão sendo tratada com, não diria descaso, pois dirigentes da nova safra, do São Paulo, Portuguesa, Corinthians e Palmeiras, têm, me parece, um forte apresso ao marketing e aos negócios. Algo superior me faz crer que essa estrutura não pode ser modificada.
O que levaria um empresário deixar o seu cliente que e é fiel a sua marca, tomando uma forte chuva, a mercê de enganadores que oferecem na sua porta, produtos de baixa qualidade ou até concorrentes roubados, e até mesmo bandidos - não me interessa aqui a crise social, pois não sou governo, guardando o carro do seu cliente em seu estacionamento?
E ainda obrigá-lo a comprar produtos de forma limitada. Só três por cliente, como se estivéssemos em plena guerra mundial? Ah!, não podemos colocar os ingressos nas mãos dos cambistas. Então quer dizer que com essa medida, não temos cambistas?
Coisas do futebol. Coisas que só quem ama, esquece. Mas, coisas que só quem ama não enxerga e que só quem é incompetente ou que tem má fé deixa acontecer.
COITADO DO TORCEDOR!
ELE AMA, E O AMOR É CEGO.
OBS: Em uma partida, desta semana, pelo campeonato brasileiro, ao entrar no estádio, percebo um senhor na minha frente, ele com uma carteira vermelha entra sem pagar. Pergunto quem ele é, afirma ser Promotor Público. Então lhe perguntei a razão da ação dos cambistas e guardadores de carro na porta do estádio, e ele respondeu.
- Essa deve ter uma atitude da Polícia Militar. A Polícia deve ser comunicada do caso e assim agirá. Como ninguém falou nada, a Polícia continuou na porta sem fazer nada e ele foi assistir a uma partida de futebol.






