“Tenho sofrido ataques na imprensa também", revela jornalista de movimento contra abuso

Nana Queiroz é repórter do jornal Metro de Brasília (DF) e criadora da campanha “Eu não mereço ser estuprada”, movimento que ganhou milharesde adeptos nas redes sociais em questão de dias, além das manchetes do Brasil e do mundo.

Atualizado em 01/04/2014 às 09:04, por Lucas Carvalho*.

jornal Metro de Brasília (DF) e criadora da campanha “ ”, movimento que ganhou milhares de adeptos nas redes sociais em questão de dias, além das manchetes do Brasil e do mundo.
Crédito:Reprodução/Facebook Jornalista comemora apoio de Dilma, mas quer mais ação do Poder Público
A mobilização começou como resposta a um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontando que 65% dos entrevistados concordaram com a frase: "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas".
“Eu queria fazer algum gesto político nas redes sociais para dizer que eu não concordava com aquilo. Eu queria colocar o 35% [de pessoas que não concordaram com a frase da pesquisa] para falar. Então eu convidei várias mulheres para mostrarem o corpo, como elas se sentissem confortáveis, um pedacinho do corpo delas ou um pedação, com um cartaz ‘eu não mereço ser estuprada’. E a adesão foi muito além do esperado”, diz a jornalista.
Nana conta que a repercussão na imprensa superou suas expectativas, mas que fica feliz que o debate tenha sido trazido à tona. “Eu queria que isso se transformasse na agenda de debates da semana, eu queria que as pessoas conversassem sobre isso no bar, na escola, no ônibus. É só com as pessoas falando sobre isso que a gente vai conseguir mudar essa mentalidade atrasada”, afirma.
A forma como alguns veículos de comunicação abordaram o assunto não agradou a jornalista, que acredita ainda que o tema poderia ter entrado na pauta da grande imprensa mais cedo. Agora, porém, o desafio é não deixar que o assunto desapareça das manchetes.
“Eu tenho sofrido ataques na imprensa também, de maneira extremamente gratuita, mas a maioria dos veículos tem entendido a importância do tema e do debate, sem desqualificar quem fala sobre ele. Torço pra que a imprensa não deixe o tema morrer tão cedo e que ele prossiga por mais tempo”, afirma Nana.
Por fim, a jornalista comemora o tuíte de apoio à campanha da presidente Dilma Rousseff na última segunda-feira (31/3), mas reitera que espera mais ação do Poder Público com relação aos crimes de assédio e ameaças sexuais contra mulheres. “Eu não esperava menos da presidenta, que ela se manifestasse a respeito desse tema. Só não esperava ser citada nominalmente por ela. Me sinto feliz que ela tenha tomado consciência do problema, mas quero também que suas palavras se tornem atos”, conclui.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves