"Temos um governo que não fala com a imprensa", diz Ariel Palacios sobre a mídia argentina

"Temos um governo que não fala com a imprensa", diz Ariel Palacios sobre a mídia argentina

Atualizado em 01/06/2010 às 11:06, por Redação Portal IMPRENSA.

Divulgação
Ariel Palacios

Nesta terça-feira (01), ocorre o III Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, em São Paulo (SP). A primeira mesa de discussão foi comandada pelo jornalista Ariel Palacios, correspondente internacional de O Estado de S. Paulo em Buenos Aires, Argentina.

Palacios fez um panorama sobre a atual situação do país em relação a liberdade de imprensa. A mídia Argentina vive atualmente a mais elevada tensão entre um governo e os jornalistas desde a volta da democracia, em 1983. Nos últimos anos o governo Kirchner e seus aliados exerceram pressões econômicas e mecanismos de censura sobre os meios de comunicação.

"Não é uma novidade a pressão sobre a mídia na Argentina. O que é novo é a intensificação da reação do governo. Por qualquer pequeno comentário eles reagem de forma muito forte (...). Desde 2005 o governo começou a pressionar os veículos de comunicação para demitir jornalistas de peso que falavam de notícias inconvenientes ao governo", relatou Palacios.

Além disso, ocorrem outras formas de pressão do governo sobre a atuação da imprensa no país. Para que jornalistas possam exercer atuação como correspondentes estrangeiros, é preciso que os profissionais se submetam a exames de sangue. "Coisa que não é pedida para outros profissionais do país. Pensamos que era uma forma de pressionar", avalia Palacios.

Em relação a lei de mídia aprovada pelo Senado da Argentina em 2009, as opiniões não são unificadas. "A lei de mídia não agrada de modo geral a população, mas alguns setores são explicitamente a favor", explica. "A imprensa precisa se unir para que pudesse debater uma nova lei de mídia", finalizou.

O III Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia é realizado pela Imprensa Editorial, com apoio da Souza Druz, GM, Rede Globo, Fiesp, OAB São Paulo, Cátedra Unesco e Associação Brasileira de Imprensa (ABI).


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