Temer nega censura em reportagens sobre primeira-dama; entidades criticam medida

Na última segunda-feira (13/2), durante um pronunciamento, o presidente Michel Temer negou que tenha havido censura na decisão da Justiça de

Atualizado em 14/02/2017 às 11:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Brasília, a pedido do Palácio do Planalto, que impediu a veiculação de reportagem da Folha e do O Globo sobre uma tentativa de extorsão sofrida pela primeira-dama Marcela Temer no ano passado.
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Segundo a Folha, o presidente foi questionado pelo veículo se houve censura no episódio. "Não houve isso. Você sabe que não houve", respondeu.
Uma liminar concedida pelo juiz Hilmar Castelo Branco Raposo Filho, da 21ª Vara Cível de Brasília, impede que a Folha publique informações sobre uma tentativa de um hacker de chantageá-la, no ano passado. A Folha vai recorrer da decisão.
As entidades de classe criticaram a medida. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, Abraji, declarou em nota, que é contra qualquer tipo de censura e reivindica a anulação da decisão, que chama de absurda. A Abraji diz ainda que impedir repórteres de publicar reportagens é prejudicial não apenas ao direito à informação, como também ao papel do jornalista de fiscalizar o poder público.
A Associação das Emissoras de Rádio e TV; a Aner, Associação Nacional de Editores de Revistas; e a ANJ, Associação Nacional de Jornais, consideraram a decisão judicial um cerceamento à liberdade de imprensa, e esperam que a sentença seja revista.
A Associação Brasileira de Imprensa disse que a decisão que se amparou no direito a privacidade, parece colidir com o da liberdade da imprensa e o direito de livre acesso a informação.
A Federação Nacional dos Jornalistas declarou ao Jornal Nacional que o judiciário tem adotado uma política, por meio de decisões, de restringir a liberdade de imprensa e o trabalho dos jornalistas.