“Tem que ter um pouco de bom senso”, diz paparazzo sobre os flagras de famosos
A profissão de Danilo Carvalho não é vista com bons olhos por boa parte das pessoas, mas nem por isso ele deixa de fazer o trabalho com profissionalismo.
Atualizado em 18/11/2014 às 20:11, por
Danubia Paraizo.
Crédito:Danúbia Paraizo Danilo Carvalho, da agência Fio Condutor
Em entrevista à IMPRENSA, Carvalho falou sobre o código de ética que costuma seguir para respeitar a privacidade dos famosos e evitar processos, além da mudança do mercado com a popularidade e acesso aos smartphones. “A desvalorização é um fato real. Há uns sete anos, quando ser paparazzo era uma novidade, a foto valia mais, as redações investiam nisso. Hoje elas pagam R$ 100, R$ 150”.
Com a desvalorização do profissional, o jornalista falou também da fama negativa de quem atua na área, e que tudo não passa de um estereótipo que precisa ser combatido. “Muitos veem o paparazzo como aquele cara que quer se dar bem em cima da desgraça alheia, algo que discordo totalmente. Não fiquei rico com isso, não é um oportunismo. Assim como tem fotógrafo especializado em publicidade ou cobertura de guerra, tem o de celebridades. É um nicho”.
IMPRESA: No jornalismo, os limites para a cobertura de celebridades são mais delimitados. E no mundo dos paparazzi? Existe algum código de conduta? DANIEL CARVALHO: Atuo como fotógrafo de celebridades há cinco anos, mas com jornalismo de TV há onze. Então, procuro usar o mesmo critério que eu uso na apuração de notícias do meu dia a dia, que é o respeito à privacidade e à honra. Quando eu digo respeito à privacidade, não estou querendo dizer que eu deixo de dar um flagra. Se eu vejo informação, uma notícia acontecendo, eu faço o registro.
Uma foto de traição, por exemplo, você faria? Faria. Pegando como exemplo o caso da traição do Marcelo Adnet, ele estava vulnerável, exposto e quis correr o risco de ser flagrado. Estava em uma área no Leblon que é reduto de paparazzi. Se fosse dentro de casa seria outra postura, não faria. Tem que ter um pouco de bom senso também. No Brasil a gente não tem uma legislação específica para esse tipo de trabalho, mas acho até que os fotógrafos aqui pegam leve em comparação com os flagras nos Estados Unidos, por exemplo.
A busca pelo futuro contribui para que cada vez mais paparazzi acabem invadindo a privacidade alheia? Determinados assuntos são muito atraentes, então, quando chegam as imagens na redação, os editores sabem que vai dar clique, que vai vender revista. Mas tem veículo que tem uma linha editorial mais discreta. A responsabilidade de colocar no ar é do veículo. Os editores avaliam quais os riscos de ser veiculada a informação. Os veículos transferem muito a responsabilidade para o fotógrafo. O colocam como vilão porque fez a imagem, mas a oferta é muito grande. Todo dia tem flagra com famosos, que fomentam essas publicações e a concorrência entre os fotógrafos.
Com a popularidade dos smartphones, você teme a desvalorização do seu cargo? A desvalorização é um fato real. Há uns sete anos, quando ser paparazzo era uma novidade, a foto valia mais, as redações investiam nisso. Hoje elas pagam R$ 100, R$ 150. Um grande furo vai render no máximo R$ 5 mil. Hoje tem cara que vende seu material por quinze reais. Tem também a marginalização da profissão: muitos veem o paparazzo como aquele cara que quer se dar bem em cima da desgraça alheia, algo que discordo totalmente. Não fiquei rico com isso. Não é um oportunismo. Assim como tem fotógrafo especializado em publicidade ou cobertura de guerra tem o de celebridades. É um nicho.





