“Televisão terá papel decisivo com debates presidenciais”, por Wagner de Alcântara Aragão

Defendo, por sinal, que deveríamos ter pelo menos um debate em cadeia nacional.

Atualizado em 19/08/2022 às 16:08, por Wagner de Alcântara Aragão.

Opinião

Estamos às vésperas do início, oficial, da campanha eleitoral de 2022. E, embora a atuação de candidatos e candidatas nas mídias digitais seja citada como aposta para se medir potencial e conquistar eleitores, mais uma vez um papel decisivo será cumprido por um meio de comunicação de massa tradicional, a televisão.


Especialmente pelos debates que serão promovidos – e destaco aqui os debates presidenciais. O primeiro será em 28 de agosto, organizado pela TV Bandeirantes em parceria com a TV Cultura, o jornal Folha de S. Paulo e o site Uol. Aliás, acertada a decisão de se formar um pool para a promoção e exibição do encontro.


Não é o caso ainda, mas as parcerias anunciadas são bem-vindas. Além desse debate em rede entre Band, Cultura e Folha, há outros dois em formato similar: um pool entre RedeTV!, Metrópoles e O Antagonista (debate em 2 de setembro) e outro entre os jornais O Globo, Valor Econômico, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, e os portais G1 e Uol (14 de setembro). A TV Aparecida e a TV Globo promoverão debates isoladamente, respectivamente dias 13 e 29 de setembro.

Crédito:Reprodução


Até o momento, tem-se confirmado o horário apenas do primeiro debate, o do dia 28. Será às 21horas. Por ser em um domingo, poderia até ser um pouquinho mais cedo – 20h, ou 20h30 no máximo. De qualquer forma, nove da noite não é de todo ruim. Inviáveis mesmo à maior parcela da população são aqueles debates começando para lá de 22h, que terminam já na madrugada do dia seguinte.


Assim, tomara os organizadores dos próximos debates programados sejam sensatos na definição dos horários. Também tenham bom senso com as regras. Evidente que, para garantir igualdade de tratamento, há que se ter controle com alguns quesitos, como tempo de perguntas e respostas. Todavia, o que se vê nos últimos ano é uma inflexibilidade que deixam candidatos mais preocupados em olhar para o cronômetro do que em dialogar com seus pares e com os telespectadores.


Temas e perguntas da organização merecem bastante critério na formulação. Por vezes, são generalistas demais, impossíveis de serem respondidas em um par de minutos. Por outras, tratam de questões muito particulares da seara político-partidária, pouco relacionadas com os grandes desafios da nação e com os impactos na vida concreta do cidadão e da cidadã.


Também é preciso abrir o campo de perspectivas. Por exemplo, perguntas ligadas à economia costumam partir do pressuposto de que o ponto de vista neoliberal é verdade absoluta. Raramente é espaço para visões de um outro mundo possível.


Nesse sentido, por mais complicado que seja, os debates deveriam ser abertos a todas as candidaturas. Até o momento em que este texto é escrito, são 12 os candidatos e candidatas confirmadas à Presidência da República.


Todos têm o direito a participar do principal momento da campanha, que é o encontro dos postulantes para discutir propostas na televisão aberta, para o país, de ponta a ponta. Ainda mais televisão sendo concessão pública, não há nada que justifique estabelecer critérios (mais bem colocados em pesquisa, ou de partidos com cadeiras no Legislativo) para selecionar quem participa ou não.


O espaço – público, como é o canal de televisão – deve ser garantido a todos. Só dessa forma a televisão aberta cumprirá, plenamente, seu papel importante, decisivo, no processo eleitoral.


Crédito:Arquivo Pessoal

* é doutorando em Comunicação (UFPR), jornalista e professor da rede estadual de educação profissional do Paraná. Mantém um veículo de mídia alternativa (www.redemacuco.com.br), ministra cursos e oficinas nas áreas de Comunicação e realiza projetos culturais.