Tachado como propaganda, documentário da BBC sobre conflito religioso é barrado na Índia
O governo indiano invocou um dispositivo legal conhecido como Lei de Emergência para vetar no país a exibição de um documentário da BBC sobre o primeiro-ministro Narendra Modi e seu papel nos conflitos religiosos que ocorreram em 2002 no estado de Gujarat e resultaram na morte de ao menos mil muçulmanos.
Atualizado em 23/01/2023 às 10:01, por
Redação Portal IMPRENSA.
Batizado de Índia: A Questão Modi, o trabalho jornalístico foi tachado como uma peça de propaganda colonialista pelo governo indiano.
A primeira parte do documentário foi ao ar no Reino Unido no último dia 17. A segunda parte irá ao ar nesta terça-feira (24 jan/23). Crédito: AFP Narendra Modi: o hoje primeiro-ministro da Índia seria responsável por clima de impunidade que motivou matança A BBC afirmou que procurou o governo indiano para a produção do material, mas que não houve resposta aos pedidos de entrevista.
O primeiro episódio acompanha o início da carreira política de Modi, incluindo sua ascensão na hierarquia do Partido Bharatiya Janata (BJP) e sua nomeação como ministro-chefe de Gujarat.
Os distúrbios religiosos de 2002 duraram três dias e eclodiram após um trem ser incendiado, matando dezenas de peregrinos hindus. Em represália, mais de mil muçulmanos foram assassinados, num dos episódios mais sangrentos da história da Índia.
O documentário da BBC trouxe à tona em primeira mão um relatório do governo britânico sobre o caso, segundo o qual Modi foi "diretamente responsável" pelo "clima de impunidade" que permitiu a onda de violência.
Até hoje o poderoso primeiro-ministro indiano nega responsabilidade pelos tumultos. Em 2013, a Suprema Corte do país concluiu que não havia provas suficientes para processá-lo.





