Supertições influenciam a vida das pessoas / Por Thais Ferreira - Universidade de Uberaba (MG)

Supertições influenciam a vida das pessoas / Por Thais Ferreira - Universidade de Uberaba (MG)

Atualizado em 03/08/2005 às 15:08, por Thaís Ferreira estudante de jornalismo da Universidade de Uberaba.

Por Quebrar espelho dá sete anos de azar; passar embaixo de escada, traz má sorte: vassoura atrás da porta, espanta visitas; apontar estrelas com o dedo, faz nascer verrrugas. Estas são algumas supertições que deixam muitos cruzando os dedos. O mês de agosto também é considerado o mês de azar, de acordo o dito popular: "Agosto, mês de desgosto". Ninguém sabe porque ele é considerado um mês azarento, mas sabe-se que as mulheres portuguesas não casavam neste mês, período em que os navios das expedições saíam a procura de novas terras. Quem casava em agosto não tinha lua-de-mel e podia até ficar viúva. Os portuguesas troxeram esta crença para o Brasil n época da colonização e ela permanece até os dias de hoje. O nome desse mês foi dado em homenagem ao imperador Augusto, devido às sus conquistas na época, principalmente a conquista do Egito. No Brasil, agosto, pode ser considerado o mês do azar em decorrência da morte do presidente Getúlio Vargas...

Nem todos confessam que acreditam, mas passadas de geração em geração, as supertições populares ganham terreno, espalham-se e resistem ao tempo e ao avanço da tecnologia. Objetos que protegem o seu dono fazem parte dessa cultura, na qual mau-olhado e azar são evitados a todo custo. "A supertição tem uma carga emcional muito grande e as pessoas têm reforços psicológicos em fazer o ritual. A supertição é um ritual, você cria hábitos, ela fica automática na sua vida. A convivência com outras pessoas e o ambiente influenciam e você passa a fazer igual ao outro, afirma a psicóloga Janete Tranquila.

Crendices funcionam?
Não há nehuma comprovação de que as crendices funcionem, mas muita gente acredita nelas. Algumas crendices dizem que se você ver um gato preto numa sexta feira é melhor fazer o sinal da cruz para evitar má sorte. Há ainda quem diga que o simples fato de pronunciar a palavra "azar" já o atraiu para si.

Os mais superticiosos acreditam que alguns objetos têm a função mágica de proteger seus donos. Por isso não vão a lugar nenhum sem carregá-los. E o caso da figa, tradicional amuleto contra o azar, que pode ser de madeira ou de metal e tem o formato de um mão; os patuás são pequenos saquinhos que contêm rezas e símbolos para proteção; o dente de alho é usado como arma natural para par evitar mau-olhado. Entre as plantas destaca-se a arruda, utilizada para proteger os ambientes de energias negativas. "A supertição não tem explicação racional, ela tem uma carga emocional muito grande, por isso as pessoas se apegam a supertição" afirma a psicóloga.

As supertições surgiram há muito tempo. Antes os povos não tinham conhecimento suficiente para dar respostas às coisas que aconteciam em suas vidas, como consequência eles começaram a criar supertições, crendices, folclore e etc. Algumas de suas perguntas podiam ser: Por que existe o trovão? Qual a diferença entre o dia e a noite? Qual o motivo da ocorrência das tempestades? Como surgem as ondas do mar? E inúmeras outras perguntas.

Os homens viviam em cavernas e, dentro delas, criavam seus medos em decorrência destes fenômenos. Também, vindo desses medos, foram criados as "religiões", seitas e deuses para serem adorados. Um exemplo disse é Thorr, o deus do trovão. Então o homem passou a viver respeitando os fenômenos naturais como se fossem entidades reais.

Com isso surgiram as supertições que, com o passar dos tempos, foram sendo modificadas . Elas são tão antigas que existem relatos de que Hesíado, que viveu 700 anos antes de Cristo, não aconselhava que fosse feita nenhuma plantação no dia 13. Hoje, podemos ver referência a esta supertição em muitos lugares da Europa e da América do Norte, nos quais não existe o 13 andar, apartamentos com o número 13, assentos em estádios ou cinemas com este número. "Eu vejo que as pessoas precisam acreditar em alguma coisa, seja ilusório, abstrato, uma crença religiosa ou não. Elas precisam acreditar, pois isso dá forças para as pessoas viverem" finaliza a psicóloga.