Superlativismos

Superlativismos

Atualizado em 12/01/2009 às 15:01, por Rodrigo Manzano e Karina Padial. Fotos: Pya Lima.

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Comandante da revista semanal mais lida do país, Eurípedes Alcântara fala sobre Veja, política e web


Se revistas tivessem almas, a da Veja transbordaria de seu corpo. Tanto para os leitores - cuja fidelidade é um orgulho na Editora Abril - quanto para os críticos de seu projeto editorial, também muitos, a Veja é uma entidade maior que as páginas que a abarcam. De uma revista que tem média de circulação paga algo superior a um milhão de exemplares por semana, em um país de poucaleitura como o Brasil, nada se pode esperar de seu espírito senão um superlativismo, em todos os sentidos. Fala-se sempre de muitos milhões de reais em faturamento publicitário,milhões de assinantes e compradores em banca, mais milhões ainda de leitores e usuários da página da publicação na internet.

Por trás de tantos zeros - à direita, diga-se - está Eurípedes Alcântara, diretor editorial da Veja e cérebro de seu atual projeto jornalístico. Sua sala, diferentemente do que se possa imaginar, é quase espartana, bem como seu senso de humor - um traço tão delicado que é quase imperceptível - e sua ira contra aquilo que considera ruim para o jornalismo, para a Veja, para o país, para a economia. Quem procura nele evidências grandiloquentes, frustra-se. Elas pertencem apenas à revista Veja, onde passou seus últimos 28 anos profissionais, em vários cargos e atingiu agora o posto máximo, com indícios no mercado de que esteja próximo de uma promoção. E, talvez, de uma sala mais superlativa.

Nesta entrevista à IMPRENSA, Alcântara destaca, segundo ele, a maior estratégia que levou Veja à casa dos milhões: estabelecer e manter um pacto de confiança com sua base de leitores, em sua maioria formada por integrantes da classe média brasileira, e surpreende ao sugerir que o Planalto está mais preparado para compreender o papel do jornalismo (e vice-versa).

Na conversa de pouco mais de uma hora, não houve assuntos proibidos. Apenas um veto: sob recomendações de Roberto Civita (de quem parece ter herdado simpatia pelos anglicismos), a palavra "produto" como descrição da revista está proibida. Para eles, a publicação é "uma experiência maior que um rótulo e um conteúdo". O espírito da Veja não cabe em uma embalagem.

Leia entrevista completa na edição 242 de IMPRENSA