Super-heróis do cinema influenciaram mercado de quadrinhos estrangeiros no Brasil

Sucesso de "Vingadores" e "Guardiões da Galáxia" trouxeram novos leitores às bancas e livrarias.

Atualizado em 27/08/2014 às 16:08, por Lucas Carvalho*.

O filme “Guardiões da Galáxia” se manteve no topo das bilheterias brasileira e norte-americana por três semanas seguidas desde a estreia no dia 31 de julho. A mais nova produção da Marvel junta-se ao grupo de personagens de quadrinhos que ganha fama internacional na tela dos cinemas. Mas como isso afeta o mercado editorial do gênero?
Crédito:Divulgação Levi Trindade acredita na expansão de quadrinhos estrangeiros no Brasil
Levi Trindade é editor sênior da divisão de quadrinhos da editora Panini no Brasil. Há mais de dez anos tomando conta de personagens como Superman, Batman, Homem-Aranha e Vingadores, já tendo trabalhado com obras europeias e nacionais, ele confirma que a popularidade desses heróis no cinema movimentou o mercado de quadrinhos estrangeiros no Brasil.
"Hoje, temos um portfólio de publicações que é praticamente mais que o dobro do que quando começamos em 2002. Isso é um reflexo de um trabalho consistente e de um maior interesse dos fãs pelos quadrinhos da Casa das Ideias", diz o editor, em referência ao apelido da Marvel Comics entre os leitores.
O crescimento, porém, enfrenta obstáculos. Trindade conta que as editoras norte-americanas – não somente a Marvel, mas também a DC Comics – não costumam cooperar da melhor forma possível com a continuidade das revistas no Brasil. Hoje, uma história em quadrinhos publicada nos EUA leva em torno de oito a dez meses para chegar aqui. No passado, esse déficit chegou a ser de quase dois anos.
Crédito:Divulgação Pirataria não diminuiu vendas de quadrinhos no Brasil
"E uma forma saudável de mantermos a coerência do material. Apesar do que alguns falam, quando a publicação sai nos Estados Unidos, ela não é disponibilizada imediatamente para nós, editoras que trabalham com o material da Marvel", comenta Trindade.
O editor cita ainda elementos da cronologia das histórias, que raramente são informadas com antecedência à Panini, e alterações de última hora no texto ou nas artes das HQs americanas, como pequenos desafios no processo de adaptação dos quadrinhos estrangeiros ao mercado nacional.
Apesar da internet e da “cultura” dos downloads ilegais, Trindade afirma que o mercado brasileiro não teve com que se preocupar nos últimos anos. A economia e a popularização dos personagens conseguir atrair cada vez mais o público para as páginas dos quadrinhos americanos.
"Não temos como mensurar quantos leitores podemos perder com isso [pirataria], mas é fato que ganhamos muitos mais. Acredito que as pessoas ainda prefiram ler no formato físico", afirma.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves