Summus lança livro sobre manipulação da mídia nas eleições

Summus lança livro sobre manipulação da mídia nas eleições

Atualizado em 13/11/2008 às 16:11, por Redação Portal IMPRENSA.

No livro "Telejornalismo e poder nas eleições presidenciais", lançamento da Summus Editorial, a jornalista Flora Neves comprova com dados estatísticos e qualitativos que a manipulação existe e que os meios de comunicação podem exercer influência no resultado de uma eleição ao enquadrar o pleito de acordo com sua linha editorial.

Analisando a cobertura das eleições presidenciais de 2002 e 2006 realizada pelo "Jornal Nacional", da Rede Globo, ela mostra que algumas abordagens foram determinantes na mudança de quadros e nas campanhas eleitorais, e que muitas matérias serviram como espaços de denúncia - permitindo enquadramentos que contribuíram na desvalorização das campanhas e/ou dos candidatos.

"A televisão", explica Flora, "se apresenta como o meio de comunicação de maior impacto na sociedade. No Brasil, ela predomina não só pela capacidade de penetração, mas por ser o veículo que mais recebe investimentos publicitários". "O telejornalismo é, por suas características e objetivos, um dos programas mais importantes e de maior credibilidade da televisão brasileira. Entretanto, nem sempre cumpre o papel de informar de forma isenta, como manda a ética do bom jornalismo", afirma.

Com base no jogo produzido pelos conceitos de enquadramento, visibilidade e valência, a jornalista revela com dados numéricos e qualitativos a alternância entre matérias com potencial de agregar ou retirar votos, evidenciando uma cobertura parcial.

"Os elementos e características próprios de um telejornal possibilitam, ao apresentador ou editor, a transmissão de mensagens com o enquadramento e/ou seleção segundo o ponto de vista do emissor. Ao escolher uma fala de uma sonora ou entrevista, é possível recolher palavras positivas ou negativas, enquadrar um ponto de vista simpático ou antipático e usar dois pesos e duas medidas, inserindo o 'corte' ideal", diz Flora.

O livro mostra que antes mesmo do início das campanhas de 2002 e 2006 o noticiário já havia construído um cenário específico para beneficiar, privilegiar ou marginalizar candidatos, levando ao telespectador interpretações edificantes ou degradantes sobre eles. Com 232 páginas, o livro custa R$ 44,00.