STJ mantém liminar que garante liberdade de Pimenta Neves

STJ mantém liminar que garante liberdade de Pimenta Neves

Atualizado em 21/11/2007 às 09:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Na última terça-feira (20), a 6ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) confirmou liminar que garantiu a liberdade do jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves. O ex-diretor de Redação do jornal O Estado de S.Paulo foi condenado a 19 anos, dois meses e doze dias de prisão pelo assassinato da namorada, a também jornalista Sandra Gomide, em agosto de 2000, na cidade de Ibiúna, interior de São Paulo.

A ministra relatora Maria Theresa de Assis Moura, da 6ª Turma, concedeu, na última quinta-feira (15), habeas corpus ao jornalista (réu confesso) que continuará a responder em liberdade o processo pela morte da namorada.

Segundo a ministra Maria Thereza, relatora do caso, o processo ainda não terminou e não há qualquer necessidade de prisão cautelar, o que justifica a concessão de liberdade provisória.

O julgamento do jornalista, iniciado em 03 de maio do ano passado, durou três dias. O homicídio foi classificado pelo júri como duplamente qualificado, já que Pimenta atirou nas costas da vítima quando esta estava no solo, impedindo a sua defesa. A outra agravante, interpretada como motivo torpe (banal), foi o fato do crime ter sido provocado porque a vítima não queria reatar o namoro com o jornalista.

A sentença saiu às 17h do dia 05 de maio de 2006, após cerca de 34 horas de julgamento, e quase seis anos depois do crime ser cometido. Segundo decisão do juiz Diego Ferreira Mendes, o jornalista pôde recorrer da sentença em liberdade.

Entenda o caso

Antônio Marcos Pimenta Neves e Sandra Florentino Gomide se conheceram na redação da Gazeta Mercantil em 1995, onde ele era diretor de redação e ela repórter. Os dois começaram a namorar dois anos depois. Em 1997, Pimenta deixou a Gazeta e foi para o Estado de S.Paulo para ocupar o cargo de diretor de redação. Uma de suas primeiras medidas no novo emprego foi contratar a namorada como "repórter especial".

Em outubro de 1999, Pimenta promoveu Sandra a editora de economia, um dos cargos mais importantes do jornal. O relacionamento dos dois terminou pouco depois da promoção, em maio, depois que Pimenta violou os e-mails de Sandra e, segundo ele, encontrou mensagens amorosas dela para outro jornalista, Jaime Mantilla, um dos proprietários do jornal equatoriano Hoy.

Jornalistas do Estadão, que trabalharam na redação do jornal naquele período, contam que Pimenta Neves eram tão ciumento e paranóico que os colegas evitavam até conversar com Sandra fora do ambiente de trabalho ou mesmo nos corredores do jornal.

Terminado o relacionamento, Pimenta não só demitiu Sandra como começou a boicotá-la. Três semanas antes do assassinato, ela conseguiu emprego no site "Patagon" através de um amigo, o repórter do Estadão Carlos Franco. Assim que soube, Pimenta demitiu Franco. No dia 20 de agosto, Pimenta Neves assassinou a ex-namorada com dois tiros em um Haras em Ibiúna. Naquele mesmo dia, o jornalista ligou para a redação do Estado de S.Paulo para preparar a manchete e orientar a cobertura do crime.