Spacca adapta obra de Jorge Amado para quadrinhos e diz que charge depende da notícia para sobreviver

Spacca adapta obra de Jorge Amado para quadrinhos e diz que charge depende da notícia para sobreviver

Atualizado em 21/08/2009 às 17:08, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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A adaptação do romance "Jubiabá", de Jorge Amado, para os quadrinhos, não poderia contar com outro nome além de João Spacca de Oliveira. Afinal, o cartunista e ilustrador já é autor de um livro no mesmo formato sobre a história de Santos Dumont e de outro sobre a chegada de Dom João VI e a Corte Portuguesa ao Brasil.

Spacca
Capa de "Jubiabá"

Formado em Comunicação Visual pela FAAP, Spacca começou sua carreira na agência de publicidade Young & Rubicam. Começou a trabalhar com histórias em quadrinhos de cinco anos para cá, depois de ter passado quase dez anos na Folha de S.Paulo , fazendo charges editoriais.

Com autoridade de quem tem experiência na área, ele afirma que a charge é o tipo de arte mais próximo do jornalismo. "A charge é um trabalho jornalístico, não tem como não ser. Ela até teria vida separada, pode não estar no jornal, mas para existir depende da notícia, e envelhece com ela também".

Spacca

Spacca tem um currículo diverso; já trabalhou com publicidade, animação, jornalismo, quadrinhos, livro didático, livro infantil, criação de personagens. E acredita que as novas tecnologias, como o Photoshop, podem ser benéficas para os artistas.

"Eu faço o meu trabalho de maneira tradicional, e a finalização pode ser ou não com o Photoshop. No entanto, o gesto é o mesmo de desenhar, e é ótimo pra facilitar as correções. Se bobear, ficou mais artesanal, porque o programa amplia os detalhes".

Spacca

Segundo ele, nunca foi tão fácil publicar quadrinho no Brasil como hoje. E um dos fatores que fomenta a produção são as compras governamentais. "As condições estão começando a existir cada vez mais. O nicho está quente agora, porque o governo tem se interessado por clássicos de literatura e temas históricos contados de uma maneira diferente. O quadrinho está renascendo. Mas não dá para encará-lo como hobby, porque senão, não evolui".

Editado pela Companhia das Letras, "Jubiabá" já foi lançado em São Paulo e na Bahia.

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