"Sou um jornalista com boas histórias para contar", diz José Trajano sobre primeiro livro

Jornalista escreveu o romance "Procurando Mônica - O maior caso de amor de Rio das Flores".

Atualizado em 17/04/2014 às 15:04, por Vanessa Gonçalves e Alana Rodrigues*.

Um dos principais jornalistas do país, o carioca José Trajano, 67, decidiu trocar, por um tempo, o esporte pelo romance ao escrever "Procurando Mônica - O maior caso de amor de Rio das Flores", lançado em fevereiro deste ano, pela editora Paralela.
Crédito:Divulgação Obra retrata amor platônico do jornalista na adolescência
Com bom humor e uma dose de drama, Trajano retrata na obra a paixão impossível por Mônica, jovem que conheceu em Rio das Flores, cidade do interior do Rio de Janeiro, onde costumava passar o verão. O jornalista remonta as aventuras que passou para tentar conquistar a amada, que mesmo após 40 anos, nunca esqueceu.
À IMPRENSA, Trajano falou como foi transformar o "amor platônico" em uma história divertida, contada e recontada uma porção de vezes por ele aos amigos, e o misterioso paradeiro de Mônica, que rendeu mais um capitulo ao livro.
IMPRENSA: Por que você demorou tanto tempo para contar essa história?
JOSÉ TRAJANO: Por falta de tempo. Eu era aquele cara voltado para o trabalho 24h por dia. Chefiei muita coisa e, principalmente, nesses 18 últimos anos, a ESPN. Eu entrava de manhã no trabalho, saía, ia para o bar conversar sobre trabalho e ficava em casa vendo o que estava no ar e o que os outros estavam fazendo. Quando larguei a chefia, começou a sobrar tempo, aí eu resolvi botar no papel essa história que eu já contava para muita gente e as pessoas achavam legal. Na verdade, eu nem queria escrever. Tinha vergonha porque não me sinto um escritor, sou um jornalista com boas histórias para contar.
Crédito:Divulgação Livro marca estreia de Trajano na literatura
O livro parece ser roteiro pronto para um filme. Você acredita que renderia? Muita gente me diz isso. As pessoas acham até que tem ficção no meio, mas não tem. O que pode ter não chega a 5%, um nome ou outro inventado, uma coisa um pouco exagerada, mas, de modo geral, foi aquilo mesmo. Tem muita nuance, um ambiente do interior, romântico dos anos 70, viagem de navio e pano de fundo dos anos de chumbo.
Acredito que ele pode ser dividido em duas partes: O passado, da fazenda e da viagem, e depois que eu mando o livro para ela, começa a ter algo do presente, troca de e-mails, telefonemas, o que muda o tom da coisa. Mas pode ser que dê um filme, quem sabe?!
Você comentou que não se sente um escritor, mas um jornalista com boas histórias. Quais seriam? Há alguma sobre os bastidores do jornalismo? Talvez pudesse escrever sobre as redações em que passei. Teve a época da imprensa alternativa contra a ditadura, o Diário de Londrina , o Canja, meu e de mais dois companheiros, uma revista de tênis. Além disso, fui chefe de redação do Jornal dos Sports , trabalhei no Correio da Manhã , Diário de Notícias , no Placar e vários outros. Então dá para juntar alguma coisa.
Você disse que trabalhou nas redações na época da ditadura. Como avalia essa lembrança aos 50 anos do golpe? Eu acho importante que se use todos os espaços possíveis para que lembrem essa data, que só nos fez mal, interrompeu a trajetória democrática do país e fez muita gente ir embora, ser torturada e assassinada. Deve ser lembrada para que os jovens de hoje reflitam, estudem e se aprofundem para que isso nunca mais aconteça na nossa história.
Você reencontrou com a Mônica? Reencontrei, mas deixo o suspense senão estraga o final do livro (risos). Ela foi à noite de autógrafos no Rio. Eu tinha que revê-la. Foi um encontro até meio estranh,o porque não a via há muitos anos. É muito louco isso.
Esse é seu primeiro livro. Pensa em fazer outros? Penso sim, estou até esboçando. Eu tenho outro lado que é o Trajano tijucano, torcedor do América, estudante do São Bento e iniciante no jornalismo. Eu conto isso no livro, mas de passagem. Esse talvez dê samba.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.