"Sorria, você está sendo controlado" analisa os tipos de controle a que estamos submetidos
"Sorria, você está sendo controlado" analisa os tipos de controle a que estamos submetidos
Basta caminhar pelas ruas centrais de uma cidade qualquer para perceber como nossa vida encontra-se, atualmente, monitorada. Trata-se de uma vigilância diversificada, que se utiliza de diferentes instrumentos tecnológicos - como as câmeras que nos convidam a sorrir, as campanhas de saúde ou os comerciais sedutores que atraem a atenção dos consumidores para diferentes mercadorias ou serviços.
Para o filósofo Gilles Deleuze, uma sociedade caracterizada pelo controle vem se configurando desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Como o controle invade nossa vida privada, produzindo os mais variados efeitos? A pesquisadora Sonia Regina Vargas Mansano responde essa questão no livro "Sorria, você está sendo controlado" (192 páginas, R$ 41,20), lançamento da Summus Editorial. Com linguagem simples e envolvente, a autora mostra como a mídia e a tecnologia podem controlar e modificar o nosso modo de viver.
Baseada na tese de doutorado da autora, denominada "Sociedade de controle e linhas de subjetivação", defendida em 2007 - e na consulta de livros, jornais, revistas e programas de televisão -, a obra conduz o leitor a pensar sobre quem ele é no meio desse mundo vigiado e controlado por todos.
"O controle é algo que invade a vida do indivíduo comum independentemente de sua situação sócio-econômica. Preocupações com a segurança, a saúde, o bem estar e a inclusão social estão cada vez mais acentuadas e são amplamente debatidas nos mais variados circuitos. Assim, pode-se dizer que as situações são amplamente conhecidas, sendo por vezes desejadas ou rejeitadas pela população", afirma Sonia.
O livro foi dividido em duas partes. Na primeira, "Tematizando a sociedade de controle", Sonia inicia com uma investigação histórica sobre o tema, partindo da analise de Michel Foucault sobre as disciplinas até aquilo que Gilles Deleuze denominou, em um dos seus últimos escritos, sociedade de controle.
Em seguida, descreve diversas situações de controle. Em "Vigilância disseminada", ela fala do controle voltado para a segurança (celulares, câmeras, rastreadores) utilizado em diversos lugares do Brasil, que convocam o indivíduo a prestar atenção em detalhes da própria vida e de outras pessoas.
Em "Controle-estimulação", mostra as pesquisas feitas por grandes empresas que desejam saber os anseios, opiniões e idéias da população e assim lançar novos produtos e serviços, acompanhados de estratégicas campanhas publicitárias. Por fim, em "Controle de riscos", discute questões relacionadas à prevenção de riscos que incidem sobre a vida e a saúde, além de como nos comportamos diante da vulnerabilidade do corpo.
Na segunda parte do livro, "Resistência e poder", a autora dedica um capítulo a um dos crimes mais agressivos e temidos pela sociedade moderna: o sequestro. Um controle que representa um estado de dominação das necessidades vitais e da liberdade.
Para esse tópico, ela apresenta uma entrevista com o relato minucioso da experiência de Ester, uma mulher que esteve sequestrada por cinco dias e mantida em cativeiro. Nesse caso, é possível observar como as tecnologias desenvolvidas para o controle são reformuladas e utilizadas em favor do crime e como o ser humano, quando está em situação de perigo, pode criar formas para se desprender do controle.






