Softwares livres impulsionam o jornalismo de dados em todo o mundo
O movimento pelo software livre, gratuito e de código aberto, também tem frutos aplicáveis ao jornalismo. E eles se destacam na visualizaçãode dados, conta Diego Rabatone Oliveira, membro da equipe de desenvolvimento do Estadão Dados e um dos fundadores do grupo de difusão do software livre da Escola Politécnica da USP (PoliGNU), criado em 2009.
Atualizado em 26/08/2013 às 16:08, por
Maurício Kanno.
Ele destaca que, entre softwares livres usados em jornalismo de dados, os expoentes seriam a , muito utilizado pelo The New York Times ; e as ferramentas de mapa e .
Rabatone conta que boa parte do que se vê hoje em dia nessa área é produzido com software livre, incluindo no citado jornal norte-americano e também no núcleo do Estadão em que trabalha. “Quando se publica como software livre, podemos reutilizar, então não precisamos ficar recriando do zero um monte de tecnologias”, diz o desenvolvedor.
Por exemplo, ele cita ter adaptado um código de visualização de uma empresa norte-americana produzido originalmente para relatar um assassinato para montar uma visualização animada de dados sobre o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS).
Crédito:Reprodução/Radar Parlamantar Aproximações partidárias na Câmara Municipal (SP) no Radar Parlamentar Na área política, Rabatone lembra que via PoliGNU foi criado o , trabalho que inspirou o no Estadão.
Colaboração
Para Júlio Boaro, consultor de tecnologia, criador do site e militante do movimento há dez anos, é preciso também destacar a questão econômica. Afinal, o software é gratuito e sua facilidade de uso para o usuário comum tem melhorado muito ao longo dos anos.
Outro aspecto seria a garantia de a comunidade checar o código do qual é feito o software, evitando riscos indesejáveis como, por exemplo, o envio de dados para terceiros. Além disso, não haveria a descontinuação da ferramenta por motivos comerciais. “Senão você fica refém de grupos privados”, aponta Boaro.
Além do mais, a cultura da colaboração seria intrínseca à filosofia do movimento, o que favoreceria a necessidade de jornalistas de obter informações. Ele cita como exemplo a lista de discussão Transparência Hacker, onde há boa interação entre programadores e jornalistas.
O valor de acesso irrestrito à informação também seria compartilhado, o que ajudaria no jornalismo investigativo. E o ambiente do movimento convida o profissional de imprensa a uma maior intimidade com os processos de sua máquina.
Crédito:Reprodução/InfoAmazonia.org
Mapa de dados da Amazônia criada com software livre Inovação Ben Colmery, vice-diretor do programa Knight International Journalism Fellowships do Centro Internacional para Jornalistas, visitou o evento Open Source Convention (OSCON), em Portland, Oregon (EUA), que aconteceu no fim de julho, e demonstrou empolgação com o que viu para a inovação no jornalismo.
Em seu publicado no site da rede IJNet.org , ele destacou soluções que abrigariam e analisariam grandes quantidades de dados, como e ; além do , que ajuda a construir aplicativos.
Até mesmo tecnologias de “hardware livre” foram citadas, como o pequeno aparelho voador AR Drone; o Raspberry Pi, minúsculo computador em uma única placa; e o Arduíno, outra placa usada para criar objetos interativos.
À reportagem, Colmery afirma que o Knight Fellows ajuda jornalistas pelo mundo a usar e criar tecnologias de código aberto e a inovar práticas noticiosas com vias colaborativas, além de criar redes de jornalistas e hackers. Também cita trabalhos de código aberto que incentivou e divulgou, como um serviço noticioso rural na ; a , que visualiza conexões entre políticos e empresários; e até um sobre a Amazônia.





