Sobreviventes do massacre de Srebrenica assistem ao julgamento de Karadzic na TV
Sobreviventes do massacre de Srebrenica assistem ao julgamento de Karadzic na TV
Mulheres sobreviventes do massacre de Srebrenica, onde cerca de oito mil muçulmanos foram assassinados pelas forças sérvias, assistiram à transmissão ao vivo do julgamento do ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic, diante do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia. Um correspondente da agência AFP acompanhou a reação das vítimas diante das telas.
"Olhem para ele! O que ele quis fazer, ele fez e, agora, ele sorri", reclama Sabra Mujic, de 48 anos, uma das quase 30 mulheres reunidas na sede, em Sarajevo, de uma associação das mães de Srebrenica, cujos maridos e filhos foram mortos no massacre. "Quem é esse senhor?", exclama ela, indignada, na frente da TV, cada vez que o juiz holandês do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII), Alphons Orie, dirige-se a Karadzic.
Preso em 21 de julho, em Belgrado, Karadzic compareceu, nesta quinta-feira (31), pela primeira vez no TPII, após ser acusado, em 1995, de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade por seu papel na guerra da Bósnia (1992-1995), que deixou mais de cem mil mortos e 2,2 mi de deslocados. Ao todo, são 11 acusações contra o ex-líder.
"Gostaria que nos deixassem ir ao tribunal de Haia para interrogá-lo pelo que ele fez, para que nós o olhássemos nos olhos e ele nos respondesse, a nós, as mães", declarou Mujic à AFP.
"Tiraram tudo de nós, nossos filhos, nossos maridos. E o que temos de volta é um filme de Karadzic", disse Kada Hotic, outra sobrevivente. "O mundo olha isso como se fosse um espetáculo", revolta-se Hotic, que também perdeu o marido e um filho em Srebrenica.
Em Banja Luka, a capital da Republika Srpska, entidade dos sérvios da Bósnia da qual Karadzic era o primeiro presidente, sua ida ao TPI não provocou reações das autoridades políticas e pouco afetou a população.
Com informações da AFP
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