Sobre Cicarelli, Boris e bolinhos de bacalhau
Sobre Cicarelli, Boris e bolinhos de bacalhau
Na entrada do saguão do formoso buffet Leopoldos, em São Paulo, a moça pergunta: "Convidado ou jornalista?". Convidados passam direto, jornalistas ganham uma credencial verde com o logotipo da Band. O relógio marca 12:30, a hora marcada no convite. Mas ainda falta chegar muita gente no rega bofe de lançamento da versão 2008 da grade de programação da emissora. O convite foi honesto ao dizer; "Venha com fome de Leão". Garçons vestidos de marinheiro oferecem todo o tipo de iguaria aos repórteres (com crachá) e aos convidados (sem crachá); queijo de cabra, canapé de salmão, patê fois gras, bolinho de bacalhau com molho de azeitonas pretas e muito, muito "Prosseco". Fartura total.
"Você reparou que pelo menos 80% do pessoal aqui é da imprensa?", comenta um dos "convidados", gente do mercado publicitário. Normal. O triunfal almoço da Band foi feito para isso mesmo: repercutir e vender a nova programação. Apesar do clima de suspense, todo mundo ali já sabe que Boris Casoy e Daniela Cicarelli são as "surpresas do dia". Só falta esclarecer quando, como e com quem.
Lá pelas 13h, finalmente os "convidados" e "jornalistas" passam para o salão onde será servido o almoço. Como é de praxe, a apresentação acontece antes do rango. Datena é o primeiro. No palco, não anuncia nada de novo, mas confessa: "É uma honra receber hoje o melhor do mercado publicitário e os críticos de TV, com quem não me dou faz algum tempo". Antes de sair de cena, completa com chave de ouro: "Como diria Nelson Rodrigues, a sociedade só melhora quando você expõe o que tem de podre".
Sai Datena, entra Ricardo Boechat. Enfim, algumas novidades, ainda que pontuais. Ao contrario do que se especulava, o formato do "Jornal da Band" não mudará. Continua com três na bancada - Mariana, Joelmir e Boechat. "Esse é um formato consagrado no mundo, mas que no Brasil nem foi testado por estrelismo de alguns apresentadores", diz, para esse colunista, o jornalista Joelmir Beting.
Depois de anunciar a ampliação da cobertura do "Jornal da Band", e o advento dos "vídeo-repórteres" na cobertura, Boechat comemora: "Em 2007 tivemos a maior audiência da história da 'Jornal da Band'". Sai Boechat, entra Fernando Mitre, o diretor de jornalismo. Sem estardalhaço, cabe a ele dizer que Boris foi mesmo contratado e que está "aí, almoçando entre vocês".
Outras novidades são apresentadas. Enquanto o mundo olha para a greve dos roteiristas nos Estados Unidos, Rosana Hermann, a principal redatora do programa "Pânico", é apresentada como a nova redatora-chefe de um programa feminino, o vespertino "Atualíssima". Saem Vesgo e Bola, entra Leão Lobo.
Alguém na mesa comenta que "essa notícia abala ainda mais a moral da tropa do Pânico". De fato, foi justamente hoje que "Mendigo" e "Mano Quietinho", dois dos mais populares personagens da atração, gravaram suas primeiras cenas na Record. Estão agora com Tom Cavalcanti e integram o bizarro "Bofe de Elite", que vem derrubando a audiência da Globo. Como se não bastasse, a Band comprou os direitos do hilário programa argentino "Caiga quem Caiga", um estrondoso sucesso de audiência em diversos paísies, como Itália e Espanha. É uma especie de "Pânico" gringo, só que muito mais sofisticado. E com legenda.
Se a Record fosse realmente esperta, traria no pacote a jornalista Rosana Hermann. É nos bastidores que está a inteligenzia que faz o público rir. O estômago já começava a roncar quando, de repente, as luzes se apagam bem no meio da apresentação de Otávio Mesquita (vestido de pijamas). Uma voz grave surge no fundo do salão. Os holofotes, então, se acendem. Ninguém entende direito o que está acontecendo. Só depois de andar uns 30 metros rumo ao palco é que cai a ficha. É a típica entrada triunfal de Daniella Carrelli.
Em traje de gala, ela sobe ao palco e fala vagamente sobre seu programa: "Só sei que será aos domingos, mas não sei a hora, nem o nome". Enquanto isso, os assessores da Band circulam entre os repórteres avisando que "ela vai posar para as fotos e dar uma coletiva depois". Alguém pergunta: "Só ela? Mas e o Boris?". "Ele está almoçando por aí, em algum lugar". Foi difícil achar, mas lá estava ele, em uma mesa bem distante do palco, cercado de coleguinhas, jogando conversa fora.






