Sobre Britto e Oliveira

Sobre Britto e Oliveira

Atualizado em 02/09/2009 às 10:09, por Silvia Dutra.

O pintor e escultor brasileiro Romero Britto foi preso em Março, em Miami, por estar dirigindo com um teor alcoólico no sangue duas vezes superior ao limite legal. Rico e famoso por seus quadros e esculturas em cores e motivos alegres e vibrantes, Romero Britto é dono de uma importante galeria de arte em Miami e tem suas obras espalhadas pelos States e cidades importantes da Europa.

Embora não tenha causado nenhum acidente, Britto cometeu uma infração de trânsito considerada muito grave e vai pagar por isso. Para evitar ser processado e talvez até parar na cadeia, semana passada Britto fez um acordo com os promotores, não contestou as acusações e recebeu as seguintes punições: 100 horas de serviço comunitário, multa de mil dólares e carteira de motorista suspensa durante seis meses.

Quando a carteira de motorista voltar a ser válida o Estado da Flórida, vai continuar monitorando as ações de Britto no trânsito por adicionais seis meses, através de um equipamento de detecção de álcool que será instalado em seu carro. O carro só liga se o aparelho não detectar no hálito do motorista nenhum traço de bebida alcoólica. Dirão vocês: no Brasil isso não funcionaria porque o bebum arrumaria uma pessoa não alcoolizada pra soprar no aparelho e enganar o sistema. Aqui também isso é possível, evidentemente, mas ninguém se arrisca a tentar fazer as autoridades de bestas sabendo que a punição será certa, cara e amarga. E não interessa se o infrator é famoso ou tem dinheiro: a lei é para todos.

E agora outra notícia, sobre um outro conterrâneo, que também me chamou a atenção semana passada.

Michael Oliveira é um promissor boxeador brasileiro de apenas 19 anos que reside nos Estados Unidos com os pais e irmãos desde os 15 dias de vida. Ele não tem nada a ver com o perfil e a imagem que geralmente está associada aos que seguem esse esporte.

Ele não é pobre, nem negro e nem foi levado ao Boxe por circunstâncias adversas de vida. Apesar da pouca idade e recente profissionalização demonstra disciplina rigorosa e uma capacidade de planejamento e estratégia da própria carreira que apontam para um futuro com bastante sucesso.

No próximo dia 11, em Pompano Beach, no sul da Flórida, Michael vai lutar com Josh Hammock que tem 25 anos e 14 lutas no curriculum, 8 vitórias e 6 derrotas. Disputarão o título latino dos super médios da NABC ( North American Boxe Council). Se Michael derrotar Hammock será o primeiro sul americano a conquistar o Latin Belt antes de completar 20 anos de idade, o que lhe garantirá um lugar na história do boxe brasileiro além de uma importante alavancada na carreira.

Participarão do evento outros boxeadores importantes e mais experientes, como o também brasileiro Carlos Rodrigues, o Açougueiro, e o haitiano Azea Augustama que se classificou para as Olimpíadas de Pequin, na China, além de Glen Johnson e Bernard Hopkins, que já participaram de lutas por títulos mundiais.

O interesse de Michael pelo Boxe começou aos 13 anos. Aos 17 anos competiu pela primeira vez, ainda como amador. Em agosto de 2008, na Carolina do Sul, fez sua estréia profissional e desde então venceu todas as sete lutas das quais participou, seis delas por nocaute, cinco desses no primeiro round.


Com quase 2 metros de altura e pesando em torno de 60 Kg, Michael se enquadra na categoria dos pesos médios do boxe. Num esporte em que agilidade física e mental e muita coragem são determinantes, ele diz que "lutar é a parte mais fácil. Treinar e ter autodisciplina são as mais difíceis".

Todos os dias, durante pelo menos oito horas, Michael treina num ginásio em Miami, sob a supervisão e direção do técnico, Danny Hawk ,que diz que o brasileiro tem um talento natural para o boxe, além de muita velocidade no ataque. Dois profissionais do Departamento de Medicina do Esporte da Universidade de Miami, o médico Clifton Page e a nutricionista Lisa Dorfman, também fazem parte da equipe que é gerenciada pelo pai de atleta, Carlos Oliveira.

Pessoalmente não tenho nenhuma apreciação pelo Boxe, acho um esporte violento e assustador, se um de meus filhos resolvesse seguir esse caminho tenho certeza que eu viveria cheia de hematomas, de tanta preocupação. Mas não posso deixar de admirar a dedicação e a disciplina desse rapaz e o apoio que ele recebe da família. Acho que ainda vamos ouvir falar muito de Michael Oliveira.