Sob alegação de hostilidade e notícias falsas, Rússia expulsa mais dois correspondentes
Entidade internacional de defesa da liberdade de imprensa com sede em Nova York, o Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ) criticou as autoridades russas pela não renovação dos vistos de correspondente internacional da jornalista holandesa Eva Hartog e de sua colega finlandesa Anna-Lena Laurén.
Atualizado em 22/08/2023 às 15:08, por
Redação Portal IMPRENSA.
Na semana passada, Eva foi informada pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia que, após 10 anos de trabalho como correspondente em Moscou, teria de deixar o país em 6 dias. Crédito: Arquivo Eva Hartog: 6 dias para deixar o país após 10 anos como correspondente em Moscou Por sua vez, Anna-Lena, que escreve para o jornal finlandês Hufvudstadsbladet (HBL) e para o sueco Dagens Nyheter, não conseguiu renovar seu visto de correspondente após 16 anos de atuação profissional na Rússia.
Após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, a Rússia passou a exigir que os correspondentes internacionais que atuam no país renovem seus vistos a cada três meses, em vez de uma vez por ano como anteriormente.
“Os procedimentos administrativos obscuros das autoridades russas não são capazes de esconder a intenção de silenciar as vozes críticas e de expulsar progressivamente os jornalistas ocidentais do país”, disse Carlos Martinez de la Serna, diretor do CPJ.
Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova justificou a expulsão de Eva Hertog afirmando que o governo holandês aderiu ao “assédio de jornalistas e meios de comunicação" da UE a autoridades russas.
Hartog deixou a Rússia em 13 de agosto, mas continuará a fazer reportagens sobre o país para o jornal holandês Politico Europe.
Em 4 de agosto, ela postou no X (antigo Twitter) que mais 19 anos foram adicionados à pena de prisão do líder da oposição russa Alexei Navalny. Ela também escreveu recentemente sobre a crescente oposição à guerra pela população russa e sobre o caso de Alexei Moskalyov, que foi preso por dois anos após sua filha de 12 anos fazer um desenho pró-Ucrânia na escola.
Caso Evan Gershkovich
Editor-chefe do Politico Europe, Jamil Anderlini disse que o jornal está “extremamente decepcionado” com o fato de Hertog ter sido forçada a deixar a Rússia.
Já a jornalista finlandesa Anna-Lena teve que deixar a Rússia no final de abril, depois de publicar um perfil do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, que foi taxado como “fake news” pelo Kremlin.
Em 2021 ela ganhou o principal prêmio de jornalismo da Finlândia por suas reportagens sobre a Rússia. Recentemente ela publicou uma série de reportagens sobre a rebelião do comandante mercenário Yevgeny Prigozhin, que em junho ordenou que soldados do grupo Wagner marchassem em direção a Moscou.
Esses dois recentes casos de expulsão de jornalistas estrangeiros pela Rússia se somam a uma ampla lista, que inclui os repórteres Luke Harding, do The Guardian, Sarah Rainsford, da BBC, Tom Venninck, do diário holandês Volkskrant, e a jornalista finlandesa Arja Paananen.
Em março deste ano, Evan Gershkovich, do Wall Street Journal, foi preso pelo governo russo sob acusação de espionagem. Ele tornou-se o primeiro jornalista americano a enfrentar esse tipo de acusação por parte da Rússia desde o fim da Guerra Fria. Sua pena pode chegar a até 20 anos de prisão. Em maio, um tribunal de Moscou realizou uma audiência a portas fechadas e deferiu o pedido do Serviço Federal de Segurança Russo para prolongar a detenção de Gershkovich até 30 de agosto.





