SJSP e Fenaj criticam "parcialidade" da imprensa na cobertura do MST

SJSP e Fenaj criticam "parcialidade" da imprensa na cobertura do MST

Atualizado em 09/02/2010 às 11:02, por Thiago Rosa/Redação Portal IMPRENSA.

Por

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) repudiaram a cobertura de parte da imprensa no caso envolvendo a prisão de integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST). Segundo as entidades, veículos de imprensa têm sido parciais, publicando reportagens sem ouvir os dois lados da história.

Agência Brasil
Guto Camargo

No final de janeiro deste ano, foram presos sete integrantes do MST, acusados de depredar uma fazenda de laranjais da empresa de sucos Cutrale, na cidade de Iaras, em São Paulo. Outros 13 membros do Movimento tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça, e estão foragidos.

Na argumentação do MST, existem 200 mil hectares de terras da União "griladas" na região, pertencentes ao poder público, e que deveriam ser utilizadas para reforma agrária.

Segundo a nota da Fenaj e SJSP, parte da imprensa se equivoca ao não ouvir fontes dos dois lados, tanto da acusação como de diretores do Movimento. "É lamentável que veículos de comunicação se prestem a produzir matérias e reportagens que não permitem as partes envolvidas na questão, as quais, neste caso, é o conflito agrário. É obrigação do Jornalismo apresentar os argumentos de ambos os lados e não é o que -lamentavelmente - vê-se nas matérias sobre a prisão de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra - MST, que são apresentados como usurpadores da propriedade alheia, sem que a esses lhe fossem permitido direito básico de se pronunciarem", diz o texto.

Na denúncia que deu início ao caso, imagens de vídeo mostraram a derrubada de 12mil pés de laranjais na fazenda da Cutrale, em outubro de 2009. Integrantes do MST alegaram que a ação teve por objetivo o plantio de feijão no local.

Na avaliação do SJSP, os veículos de imprensa erram ao veicularem imagens sem a devida atribuição dos responsáveis pelas filmagens. "O problema não é divulgar a imagem, mas sim não dar crédito ao autor. Que seja mostrado o responsável pela imagem, nós reclamamos tanto da falta de crédito na imprensa", declarou Guto Camargo, presidente da entidade, criticando a "troca de gentilezas" entre parte da imprensa e a Polícia Civil, responsável pelo vídeo. "Os jornalistas deveriam questionar as circunstâncias de sua produção e apropriação e não dar absoluto crédito ao material que a polícia obteve, também sabe-se lá como e que no momento acha-se fora de contexto".

Leia Mais

-