Sistema de transporte pode ser inteligente / Por Yara Verônica Ferreira - USJT (SP)

Sistema de transporte pode ser inteligente / Por Yara Verônica Ferreira - USJT (SP)

Atualizado em 25/07/2005 às 13:07, por Yara Verônica Ferreira e  estudante de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu (SP).

Por Administrar uma cidade com a extensão territorial de São Paulo, é uma tarefa árdua. Pensar num sistema de transporte inteligente, então, parece ser um trabalho ainda mais árduo. Mas o Secretário Municipal de Transportes, Frederico Bussinger, apresenta idéias como quem conhece o suficiente para realizá-las. Afinal, para quem já foi diretor de Gestão Portuária da Companhia Docas do Estado de São Paulo, presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos - CPTM, secretário executivo do Ministério dos Transportes, presidente do Conselho de Administração da Rede Ferroviária Federal, presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia-CONFEA e diretor de Operações da Companhia do Metropolitano de São Paulo - METRÔ, com formação em engenharia elétrica, administração e economia e ainda mestrado em engenharia elétrica, dissertar sobre um sistema de transportes do qual fez parte do projeto, torna-se mais fácil, com todo o embasamento teórico e prático que adquiriu.

É compreensível que as críticas sejam sagazes entre os munícipes, afinal não se vive só de estudos e idéias. Mas realizar é uma tarefa que não é tão simples na área política, posto que qualquer medida envolve outros setores da vida pública e também da privada. Por isso, tudo na política são projetos que estão sempre em estudos e a delimitação de tempo em que serão postos em prática é sempre uma promessa que talvez não possa ser cumprida à risca.

"Os planos para uma área tão complicada, não podem ser realizados em curto prazo. É por isso que precisa ter uma gestão criteriosa do transporte, muito racional. Hoje, o sistema que nós temos é muito irracional", alerta Bussinger. Gislaine Souza moradora da Zona Sul, diz irritada que se perde um ônibus, fica mais de 40 minutos esperando pelo próximo. "Vira e mexe chego atrasada no trabalho por conta da falta de outros ônibus que sirvam para ir para o Centro". Mas na concepção de Bussinger, isso tem que acabar: "nenhum cidadão pode esperar mais que 15 minutos para linhas do sistema estrutural e 25 minutos para os ônibus do sistema local". Entende-se por linhas do sistema estrutural, aquelas que fazem parte de grandes avenidas e de corredores, enquanto que as linhas locais são as que abastecem os bairros de forma interna.

Outra queixa freqüente dos usuários do sistema de transportes é a super-lotação e Bussinger garante que faz parte dos estudos de sua equipe, a quantidade de pessoas que cabem dentro de um veículo. Segundo os estudos já feitos, atualmente, um espaço com um metro quadrado, é ocupado em média por oito ou nove pessoas. A meta da equipe é fazer com que esse número seja reduzido para cinco e seis pessoas. E ele brinca: "As pessoas dizem que querem mais ônibus, uma coisa irônica, porque mais ônibus pode ser igual a menos ônibus. Decodificando, elas querem mais viagens que podem ser alcançadas com menos ônibus e a idéia do corredor é tirar ônibus, para que aquele que fique consiga andar mais rapidamente." Enfim, com uma circulação mais rápida, os ônibus passarão a circular com um menor número de pessoas, acabando com o tal efeito "sardinha em lata".

Os idosos e deficientes reclamam muito do acesso ao degrau, como Leonor Strazza, que com 73 anos, usa muitos ônibus para poder fazer suas compras em supermercados que oferecem o melhor preço. "Os ônibus são muito altos e eu com essa perna curta, tenho que fazer muito esforço para alcançar o degrau". No projeto consta que os veículos em médio prazo estarão todos adaptados dentro daquela chamada acessibilidade, ou seja, todos terão piso base, aquele que se embarca no nível da calçada, não só para pessoas portadoras de deficiência, mas para comodidade de todos os passageiros.

Nos planos apresentados por Bussinger, a visão ampla em relação a área de transportes atinge além do bem estar dos passageiros, a preocupação com a redução da poluição, de forma que o governo também prevê a substituição do combustível diesel pelo gás natural. "A cidade tem uma frota em princípio super-dimensionada quantitativamente, mas inadequada qualitativamente", atesta Bussinger. Mas, as medidas que serão tomadas estão fadadas ao médio prazo, cuja data não pôde ser delimitada pelo secretário, mas ele declara que ao final da gestão, em 2008, o sistema de transportes públicos funcionará melhor que atualmente.