SIP encerra 66ª Assembleia Geral e cobra solução de crimes contra jornalistas

SIP encerra 66ª Assembleia Geral e cobra solução de crimes contra jornalistas

Atualizado em 10/11/2010 às 09:11, por Redação Portal IMPRENSA.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) exigiu das autoridades do México e de Honduras para esclarecer os assassinatos de jornalistas nos países, e, ainda, que o governo da Argentina encerre sua "campanha de assédio" contra os veículos de comunicação argentinos por meio do controle da distribuição de papel-jornal.

As declarações foram feitas na terça (09), último dia da 66ª Assembleia Geral da organização, realizada na cidade mexicana de Mérida. De acordo com informações da AFP, a SIP manifestou preocupação com o número de casos de violência contra profissionais de comunicação nas Américas. No México, 14 jornalistas foram assassinados no primeiro semestre deste ano; Honduras registra cinco mortes; e dois profissionais de imprensa foram mortos no Brasil no mesmo período.

A SIP pediu aos poderes Executivo e Legislativo mexicanos para considerarem como crimes graves os assassinatos de jornalistas no país - em sua maioria atribuídos ao narcotráfico -, e que merecem ser investigados pelas autoridades federais. Além disso, ressaltou a importância de se apurar os desaparecimentos de repórteres e de ameaças sofridas por meios de comunicação locais, classificadas como "ataques e ameaças contra a liberdade de expressão".

A entidade alertou que existem esforços "de um a outro canto das Américas" para que se criem "dispositivos legais destinados a 'regular' o funcionamento dos meios de comunicação". Nesta semana, Brasília sedia o Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, organizado pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins. No evento, autoridades de vários países e representantes de agências reguladoras europeias discutirão propostas para a regulamentação do setor de mídias eletrônicas brasileiro.

O ministro afirma que o governo não tem intenção de censurar a imprensa, mas defende um controle de conteúdo sobre assuntos ligados ao respeito à privacidade, campanhas difamatórias, entre outros. "Não haverá qualquer tipo de restrição", disse Martins. "Mas vamos com calma. Isso não significa que não pode ter regulação", declarou, segundo informou O Estado de S. Paulo.

Sobre a Argentina, a SIP afirmou que há no país o risco de o Estado querer intervir "no mercado do papel", e pediu para que o país mantenha uma política de livre produção, importação e comercialização do material. O governo da presidente Cristina Kirchner trava uma briga judicial para tentar obter a maior parte das ações da Papel Prensa, maior produtora de papel-jornal argentina e que abastece 170 jornais.

Durante o evento, a entidade citou as tentativas de se violar o direito à liberdade de expressão e de imprensa na Venezuela, e, também, pediu a libertação imediata e incondicional de jornalistas independentes que estão presos em Cuba, e condenou o exílio imposto aos dissidentes libertados este ano.

No último dia da Assembleia, o jornalista e diretor do jornal guatemalteco Prensa Libre, Gonzalo Marroquín, foi nomeado como novo presidente da SIP. Marroquín declarou que os grandes inimigos dos meios de comunicação atualmente são "os governos intolerantes e autoritários" e "o crime organizado e o narcotráfico". O próximo encontro da entidade será em 2012, em Lima, capital do Peru.

Leia mais

-
-
-
-