SIP critica intenção do governo argentino de controlar consumo de papel-jornal

SIP critica intenção do governo argentino de controlar consumo de papel-jornal

Atualizado em 27/10/2010 às 11:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Em declaração feita na última terça (26), a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) afirmou que o projeto de lei apoiado pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, para controle do uso do papel-jornal pelos veículos de comunicação do país faria com que o governo violasse "princípios internacionais e constitucionais de liberdade de imprensa".

Para a entidade, a proposta gera "profunda preocupação" pelo fato de que permitiria ao Estado argentino ter influência direta no consumo do produto.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo , a nova legislação tem como objetivo aumentar o controle do Estado sobre a maior produtora de papel-jornal do país, a Papel Prensa, que tem entre seus principais acionistas o governo (27,46%), o Grupo Clarín (49%) e o jornal La Nación (22,49%).

Caso o Congresso argentino aprove o projeto, o dono do jornal Clarín e o La Nación teriam que se desfazer de parte de suas ações para se adequar às exigências da lei, que prevê limite acionário de 10% para os veículos de comunicação na produtora.

Além disso, a empresa seria obrigada a oferecer as mesmas condições de preços e prazos a todos os seus clientes e teria sua gestão fiscalizada por uma comissão parlamentar.

A Papel Prensa atende 76% da demanda por papel-jornal do país, e tem sido alvo de uma briga judicial entre Cristina e as duas empresas de comunicação. Tanto o Grupo Clarín como o La Nación se opõem ao governo da líder argentina, e foram acusados por ela de terem adquirido cotas da empresa de forma ilegal, durante a década de 1970.

No início de outubro, funcionários da Papel Prensa iniciaram uma greve para reivindicar aumento salarial, e os grevistas chegaram a bloquear os portões da fábrica para evitar a saída de caminhões que entregariam a matéria-prima. A paralisação preocupou a associação de jornais argentinos, que afirmou que a "escassez" de papel faria com que 250 veículos deixassem de ser publicados.
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