SIP aponta riscos contra imprensa após revelações de espionagem dos EUA

O número de casos de violência contra jornalistas no continente americano bateu o recorde em dez anos. As hostilidades são somadas com a ameaça de fontes e profissionais nos Estados Unidos e o uso de medidas de coerção econômica em países como Argentina e Venezuela.

Atualizado em 21/10/2013 às 09:10, por Redação Portal IMPRENSA.


Crédito:Reprodução/Twitter Claudio Paolillo diz que espionagem dos EUA a jornalistas prejudica trabalho da imprensa

De acordo com O Estado de S. Paulo , dados divulgados no último domingo (20/10) pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que realiza sua 69.ª Assembleia Geral em Denver, nos Estados Unidos, apontam que entre março e setembro, 14 jornalistas foram assassinados na América Latina, sendo dois deles no Brasil.


"Todos os casos permanecem impunes", alertou o presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da entidade, Claudio Paolillo. Para ele, o assassinato de jornalistas intimida a imprensa, fazendo com que profissionais se autocensurem.


Diversos jornais da Venezuela pararam de circular pela impossibilidade de importar papel. Na Argentina, os veículos independentes estão sendo afetados pela decisão do governo de impedir anúncios de supermercados e eletrodomésticos.


Segundo o relatório sobre a Argentina, o "boicote publicitário" imposto há oito meses acarretou em uma queda de receita de 20% dos veículos independentes, o que pode representar US$ 60 milhões anuais. O controle foi acompanhado da ampliação dos anúncios oficiais para os jornais alinhados com o governo.


Bolívia, Nicarágua e Panamá também enfrentam medidas para invalidar seus veículos independentes. No Equador, entrou em vigor há quatro meses a Lei Orgânica de Comunicação, que determina o controle estatal sobre a imprensa e possibilita a posição governamental no conteúdo jornalístico.


Segundo Paolillo, a situação piorou após a revelação de que os EUA mantêm um sistema de monitoramento de comunicações, prejudicando a privacidade dos jornalistas com suas fontes. A prática também rompe a imagem internacional do país como referência. "Governos na Argentina, no Equador, na Venezuela vão poder dizer: 'se o governo americano está espionando seus jornalistas, por que nós não podemos fazer o mesmo?'", acrescentou.


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