Sindicato repudia demissões em O Estado do Paraná e diz que publicação está "sem rumo"

O jornal O Estado do Paraná, que já chegou a ser um dos principais da região sul do país, demitiu quatro jornalistas que tinham diversos anos de casa.

Atualizado em 07/11/2011 às 12:11, por Luiz Gustavo Pacete.

Paraná , que já chegou a ser um dos principais da região sul do país, demitiu quatro jornalistas que tinham diversos anos de casa. Segundo um blog local - 'Lado B' - com a demissão, "o jornal deu prova de que está fechando as portas".
Em janeiro, o periódico via morrer sua versão impressa, após 59 anos de existência. O argumento do Grupo Paulo Pimentel (GPP) - holding que administra a marca - era de uma nova aposta do jornal no formato digital. Desde então, os críticos da atitude do GPP, também responsável pelo popular Tribuna , afirmam que a publicação segue "um declínio e perda de identidade acelerada".

Rafael Tavares A demissão dos jornalistas Elisabete Castro, Valéria Auada, Paula Melech e do fotojornalista Daniel Caron mobilizou o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor-PR), que, em nota, se solidarizou com os profissionais e classificou a demissão como "mais um sinal de uma empresa que perdeu o rumo por efetuar um desmanche no espaço que já foi redação de referência em termos de jornalismo".
Rafael Tavares, diretor-executivo do GPP, disse à IMPRENSA que as demissões fazem parte de um processo de ajustes no grupo. "Ao contrário da nota do sindicato, que prega há tempos a derrocada do GPP, as medidas duras tomadas pelo acionista são no sentido de equilibrar economicamente a operação e manter seus veículos em pleno funcionamento".
O sindicato completa que o grupo "abandona o jornalismo como vetor de interesse público. O Sindijor condena essa prática e antevê que a partir desse modelo não é possível acreditar na recuperação do GPP. Demitindo jornalistas, material mais importante para que uma empresa jornalística funcione, o GPP está fadado ao fracasso".

Em entrevista à IMPRENSA, no começo do ano, Rafael Tavares, diretor-executivo do GPP justificou que "a versão impressa do jornal vinha perdendo seu posicionamento", mas, mesmo com os questionamentos sobre a saúde financeira da empresa, ou sobre os reais motivos da migração do papel para o digital, o executivo defendia a ausência de demissões.

Leia mais