Sindicato gaúcho faz campanha salarial com 1,2 mil camisetas espalhadas até à Suíça
Com uma campanha utilizando o lema “Sem jornalista, não tem informação”, o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul pretende destravaruma negociação parada há cinco meses.
Atualizado em 22/11/2013 às 17:11, por
Maurício Kanno.
A frase está impressa em 1,2 mil camisetas espalhadas pelo Rio Grande do Sul, algumas até fora do país, como diante de sede das Nações Unidas (ONU), na Suíça.
Crédito:Divulgação Milton Simas, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul
“Produzimos sempre notícias sobre assuntos como participação nos lucros, como isso é vantajoso para as empresas, mas nós mesmo não temos isso”, diz Marina Schmidt, repórter do Jornal do Comércio . Ela conta que foi o primeiro jornal a divulgar fotos de jornalistas com as camisetas. A partir daí, o costume se espalhou.
Como troféus alcançados, a mobilização conta com mais de 3,5 mil “curtidas” na e adesão de “todos os veículos de comunicação e assessorias de imprensa”, segundo Marina. O sindicato cita Correio do Povo , O Sul , Zero Hora , rádios Guaíba, Bandeirantes, a Fundação Piratini – que inclui TVE e FM Cultura – além de outros veículos do interior.
Até políticos e escritores estão aparecendo com a camiseta-símbolo, como a ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário – por iniciativa própria, segundo o sindicato –, o governador do Estado Tarso Genro, o cineasta Jorge Furtado, além dos escritores Luis Fernando Verissimo e Laurentino Gomes.
Crédito:Divulgação Luís Fernando Veríssimo com a camiseta da campanha Histórico Para o presidente do sindicato dos jornalistas, Mílton Simas, o momento de mobilização é histórico. Ele lembra que se completam agora 30 anos da greve na Caldas Júnior, empresa proprietária do jornal Correio do Povo e que também editava outros dois jornais. “Mas foi acontecendo um amortecimento da categoria ano a ano”, lamenta. “Um colega indo para o serviço público ou assessoria de deputado, para academia, foi diluindo o poder de mobilização.”
Simas diz que o patronato neste ano veio “desrespeitando a classe com o discurso de crise” e oferecendo “só repor a inflação, com 0% de reajuste do piso da capital e 1% do interior, sem aumento real”. Ele também reclama do piso atual, de R$ 1.690, sendo que o indicado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) seria de R$ 2.800. Outros problemas seriam a falta de vale-alimentação e transporte depois das 22h.
A partir disso, a entidade chamou jornalistas para assembleia, rejeitando a proposta. Decidiu-se uma mobilização. Dos 45 reunidos no início, passou-se a 1.200 camisetas espalhadas, encomendadas pelo sindicato. Resolveram usar as redes sociais com fotos das camisetas, porque os veículos tradicionais não lhes dariam espaço, segundo o sindicalista: “A gente aparece na TV entrevistando atriz, jogador de futebol, parece que está tudo bem, mas a realidade é diferente.”
Espalhando O presidente do sindicato levou as camisetas para a Câmara dos Vereadores de Porto Alegre e Assembleia Legislativa, onde membros vestiram a camiseta. “O deputado Miki Breier [PSB] soube da movimentação pelas redes sociais e perguntou se podia ocupar o espaço”, relata Simas.
“Todo mundo está pedindo, em Pelotas, Caxias do Sul, Bagé, e também temos fotos em Brasília, com deputados como Pedro Simon [PMDB], Paulo Pimenta [PT] e Jean Wyllys [PSOL], além de camisetas enviadas para a Fenaj [Federação Nacional de Jornalistas]”, conta o sindicalista, que menciona também participação no Paraná e Santa Catarina.
Simas conta que o lema foi criado no meio do ano, durante a campanha salarial em junho. Para fortalecer a movimentação, o sindicato tinha contratado, além do Dieese para assessoria, uma empresa de publicidade, que criou o slogan. Mas no início este não havia se difundido tanto. “Foi mais no último mês que foi bombando”, lembra ele, que nega haver expectativa de greve na mobilização.
Crédito:Divulgação Mônica Cabañas Guimarães, coordenadora do Programa de Cooperação Sul-Sul para a área de Seguridade Social, na Suíça
Patronais Os sindicatos patronais denunciam propostas dos jornalistas muito difíceis de negociar. “A inicial, levada em maio, foi de 148% na capital e 180% no interior”, afirma André Jungblut, presidente do Sindicato dos Jornais e Revistas. “Depois diminuíram.”
Ele argumenta: “E você tem visto a situação das empresas de comunicação? Não tem como falar em admissões, mas em muitas demissões, com mídias alternativas e valor da publicidade diluído. E ainda não aprendemos a ganhar dinheiro com web.”
Quanto aos benefícios, Jungblut diz que é preciso verificar o caso de cada empresa, como as muito pequenas ou quando o funcionário mora perto; mas dá o exemplo da sua, a Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul. “Os jornalistas são levados para casa à noite, por segurança, sem obrigatoriedade. Vale-refeição ganha quem trabalha nas horas de refeição.
O empresário também refuta que haja movimentação tão grande assim no Estado, ao menos no interior e na visão dele, que diz não passar muito em redação. “Os funcionários aqui nem tem camisetas. Passei dois dias em Porto Alegre, e nem vi muita concentração.”
Ary dos Santos, presidente do Sindicato das Empresas de Rádio e TV, que assumiu as últimas negociações do lado patronal, afirma estar impressionado com a demora nas negociações deste ano, desde junho. E ressalta que o patronato oferece 6,95% de correção pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Além disso, considera o problema da disparidade entre os pisos da capital e interior, de cerca de 18%, considerando que em outros Estados, como São Paulo, haveria uma divisão por número de habitantes. Mas diz que a diferença estaria diminuindo ao longo dos anos. “Só não dá para unificar agora.”
Quanto às manifestações, Santos comenta: “Ficamos chateados, mas sou a favor da livre expressão, desde que não seja ofensiva.” E sobre até o governador Tarso Genro vestir a camiseta dos jornalistas, ironiza: “Faz parte do negócio. Na hora que tiver manifestação de servidores públicos, ele vai estar do outro lado; 'apóia' só os empregados da iniciativa privada. Agora, fazer de fato alguma coisa...”
Veja as imagens
Crédito:Divulgação Milton Simas, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul
“Produzimos sempre notícias sobre assuntos como participação nos lucros, como isso é vantajoso para as empresas, mas nós mesmo não temos isso”, diz Marina Schmidt, repórter do Jornal do Comércio . Ela conta que foi o primeiro jornal a divulgar fotos de jornalistas com as camisetas. A partir daí, o costume se espalhou.
Como troféus alcançados, a mobilização conta com mais de 3,5 mil “curtidas” na e adesão de “todos os veículos de comunicação e assessorias de imprensa”, segundo Marina. O sindicato cita Correio do Povo , O Sul , Zero Hora , rádios Guaíba, Bandeirantes, a Fundação Piratini – que inclui TVE e FM Cultura – além de outros veículos do interior.
Até políticos e escritores estão aparecendo com a camiseta-símbolo, como a ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário – por iniciativa própria, segundo o sindicato –, o governador do Estado Tarso Genro, o cineasta Jorge Furtado, além dos escritores Luis Fernando Verissimo e Laurentino Gomes.
Crédito:Divulgação Luís Fernando Veríssimo com a camiseta da campanha Histórico Para o presidente do sindicato dos jornalistas, Mílton Simas, o momento de mobilização é histórico. Ele lembra que se completam agora 30 anos da greve na Caldas Júnior, empresa proprietária do jornal Correio do Povo e que também editava outros dois jornais. “Mas foi acontecendo um amortecimento da categoria ano a ano”, lamenta. “Um colega indo para o serviço público ou assessoria de deputado, para academia, foi diluindo o poder de mobilização.”
Simas diz que o patronato neste ano veio “desrespeitando a classe com o discurso de crise” e oferecendo “só repor a inflação, com 0% de reajuste do piso da capital e 1% do interior, sem aumento real”. Ele também reclama do piso atual, de R$ 1.690, sendo que o indicado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) seria de R$ 2.800. Outros problemas seriam a falta de vale-alimentação e transporte depois das 22h.
A partir disso, a entidade chamou jornalistas para assembleia, rejeitando a proposta. Decidiu-se uma mobilização. Dos 45 reunidos no início, passou-se a 1.200 camisetas espalhadas, encomendadas pelo sindicato. Resolveram usar as redes sociais com fotos das camisetas, porque os veículos tradicionais não lhes dariam espaço, segundo o sindicalista: “A gente aparece na TV entrevistando atriz, jogador de futebol, parece que está tudo bem, mas a realidade é diferente.”
Espalhando O presidente do sindicato levou as camisetas para a Câmara dos Vereadores de Porto Alegre e Assembleia Legislativa, onde membros vestiram a camiseta. “O deputado Miki Breier [PSB] soube da movimentação pelas redes sociais e perguntou se podia ocupar o espaço”, relata Simas.
“Todo mundo está pedindo, em Pelotas, Caxias do Sul, Bagé, e também temos fotos em Brasília, com deputados como Pedro Simon [PMDB], Paulo Pimenta [PT] e Jean Wyllys [PSOL], além de camisetas enviadas para a Fenaj [Federação Nacional de Jornalistas]”, conta o sindicalista, que menciona também participação no Paraná e Santa Catarina.
Simas conta que o lema foi criado no meio do ano, durante a campanha salarial em junho. Para fortalecer a movimentação, o sindicato tinha contratado, além do Dieese para assessoria, uma empresa de publicidade, que criou o slogan. Mas no início este não havia se difundido tanto. “Foi mais no último mês que foi bombando”, lembra ele, que nega haver expectativa de greve na mobilização.
Crédito:Divulgação Mônica Cabañas Guimarães, coordenadora do Programa de Cooperação Sul-Sul para a área de Seguridade Social, na Suíça
Patronais Os sindicatos patronais denunciam propostas dos jornalistas muito difíceis de negociar. “A inicial, levada em maio, foi de 148% na capital e 180% no interior”, afirma André Jungblut, presidente do Sindicato dos Jornais e Revistas. “Depois diminuíram.”
Ele argumenta: “E você tem visto a situação das empresas de comunicação? Não tem como falar em admissões, mas em muitas demissões, com mídias alternativas e valor da publicidade diluído. E ainda não aprendemos a ganhar dinheiro com web.”
Quanto aos benefícios, Jungblut diz que é preciso verificar o caso de cada empresa, como as muito pequenas ou quando o funcionário mora perto; mas dá o exemplo da sua, a Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul. “Os jornalistas são levados para casa à noite, por segurança, sem obrigatoriedade. Vale-refeição ganha quem trabalha nas horas de refeição.
O empresário também refuta que haja movimentação tão grande assim no Estado, ao menos no interior e na visão dele, que diz não passar muito em redação. “Os funcionários aqui nem tem camisetas. Passei dois dias em Porto Alegre, e nem vi muita concentração.”
Ary dos Santos, presidente do Sindicato das Empresas de Rádio e TV, que assumiu as últimas negociações do lado patronal, afirma estar impressionado com a demora nas negociações deste ano, desde junho. E ressalta que o patronato oferece 6,95% de correção pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Além disso, considera o problema da disparidade entre os pisos da capital e interior, de cerca de 18%, considerando que em outros Estados, como São Paulo, haveria uma divisão por número de habitantes. Mas diz que a diferença estaria diminuindo ao longo dos anos. “Só não dá para unificar agora.”
Quanto às manifestações, Santos comenta: “Ficamos chateados, mas sou a favor da livre expressão, desde que não seja ofensiva.” E sobre até o governador Tarso Genro vestir a camiseta dos jornalistas, ironiza: “Faz parte do negócio. Na hora que tiver manifestação de servidores públicos, ele vai estar do outro lado; 'apóia' só os empregados da iniciativa privada. Agora, fazer de fato alguma coisa...”
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