Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul pede que TV local continue sendo pública

Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul pede que TV local continue sendo pública

Atualizado em 08/04/2008 às 18:04, por Redação Portal IMPRENSA.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul divulgou uma nota nesta terça-feira (8) sobre a aprovação do Projeto de Lei 42/2008, que transfere a Fundação Cultural Piratini Rádio e Televisão da Secretaria de Cultura para a Secretaria-Geral de Governo.

O órgão afirma que isso "significa o atrelamento de uma emissora que hoje é pública, e de todos os gaúchos, para atender os interesses do governo". O comunicado diz que "o Rio Grande do Sul tradicionalmente não é um Estado que costuma reeleger seus governadores, e em face disso seria muito importante que a TVE e a Rádio FM Cultura continuassem mantendo sua independência".

"Lutamos para que a emissora, que tem a cara do povo gaúcho, continue sendo um veículo sério e plural", afirmam os jornalistas. Eles pedem aos deputados que não deixem que a função primordial da TVE e da Rádio FM Cultura - de emissoras voltadas à difusão da educação, cultura e valores regionais, direcionados a um público com interesse crítico diverso à mensagem veiculada pelas emissoras privadas - seja ameaçada.

O comunicado explica que nenhum governo, até agora, exerceu o poder com a clareza do que significa uma emissora pública. "A direção da emissora já foi ocupada por pessoas sem nenhuma ligação com a Comunicação, aventureiros eleitorais e burocratas em busca de cabides de emprego. Paradoxalmente, sobreviveu a tudo isso, e nos últimos anos os governos, mesmo alegando falta de dinheiro, têm indicado pessoas qualificadas, capazes de conduzir a Fundação no quadro de penúria em que se encontra".

Um exemplo do mau uso da TVE foi denunciado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul na última segunda-feira (7): uma matéria sobre a situação da Fundação Cultural Piratini Rádio e Televisão, em especial a proposta do Governo Estadual de reestruturar as duas emissoras, rádio e TV, não foi veiculada pela própria TV.

O Sindicato conta, na nota que "como não poderia deixar de ser, o Telejornalismo enviou uma equipe de reportagem para fazer a cobertura do evento. A matéria foi editada, mas estranhamente não foi ar, supostamente por problemas técnicos na gravação da entrevista com o presidente Aírton Nedel, fonte fácil de se recuperar".

Sobre essa atitude, a nota diz que "no momento em que a Fundação passa por um debate público sobre sua situação jurídica, a emissora priva seus telespectadores de uma informação que mostra a mobilização da sociedade para a manutenção da Fundação como patrimônio dos gaúchos. Ao não veicular a matéria, a direção da TVE nos reforça a opinião de que a Fundação Cultural Piratini Rádio e Televisão deve continuar, sim, vinculada à Secretaria de Cultura, e não à Secretaria-geral de Governo conforme prevê o projeto de lei".

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