Sindicato dos Jornalistas de SP acompanha demissões no El País

Ao todo, 18 pessoas perderam o emprego com o encerramento das atividades; 17 jornalistas e uma funcionária do administrativo

Atualizado em 17/12/2021 às 12:12, por Redação Portal IMPRENSA.

O Sindicato dos Jornalistas está acompanhando de perto os trâmites da demissão dos 17 funcionários do jornal El País, que na terça-feira (13) anunciou o fim de suas atividades no Brasil.
À IMPRENSA, o órgão afirmou que está em contato com os profissionais para garantir que todos os direitos trabalhistas sejam respeitados. O Sindicato representa 16 dos 18 demitidos - um, era temporário, e não pode ser representado desde a aprovação da Reforma Trabalhista. A 18ª pessoa era do setor administrativo. Crédito:Reprodução El País encerrou as atividades no Brasil El País encerrou as atividades no Brasil Em nota divulgada no site, o Sindicato repudiou a forma como a empresa conduziu a situação, "sem qualquer diálogo com as e os jornalistas e prestadores de serviços".
"Lembramos que, de acordo com a Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho - OIT, qualquer demissão coletiva tem de ser negociada previamente com a categoria e seus representantes, já que causa repercussão social, e a negociação mitiga os danos", diz o texto.
"Tão logo as trabalhadoras e trabalhadores souberam da possibilidade de encerramento dos trabalhos, apenas algumas horas antes do anúncio, acionaram o Sindicato que imediatamente se dirigiu à Empresa. O SJSP se colocou à disposição da categoria, se reuniu com a direção da empresa e acompanhou pessoalmente todo o processo de demissões", esclarece.
"Também nos solidarizamos às e aos 16 jornalistas demitidos, que por 8 anos realizaram um excepcional trabalho à frente da publicação que se tornou referência no jornalismo nacional."

Logo após a notícia, os jornalistas do veículo divulgaram uma carta aberta endereçada aos leitores.
" Carta ao leitor
Após a notícia se espalhar, a equipe da redação divulgou uma carta conjunta de despedida para os leitores que acompanhavam o site.
"Querido leitor, a equipe do EL PAÍS Brasil foi informada hoje, assim como vocês, do encerramento das atividades da edição após oito anos.
Nascemos dos ventos de 2013, quando milhares de leitores foram buscar na Espanha uma visão dos maiores protestos da história. Nos orgulhamos de ter contado em profundidade a crise que se seguiu, buscando que cada título refletisse um país que desmoronava.
Mapeamos os interesses no impeachment. Escrutinamos todos os lados da Lava Jato. Trouxemos para as manchetes os crimes contra os direitos humanos, o racismo, os estupros e a ameaça à democracia. Construímos este jornal com você."
E, por isso, fazemos questão de agradecer pessoalmente seu apoio e seu voto de confiança. Obrigada por nos ajudar a fazer o jornalismo que chama as coisas pelo seu nome. Um abraço e até breve."

No Twitter, Eliane Brum, colunista do jornal há oito anos, também lamentou o fim da publicação. "A redação chefiada por mulheres fez, em oito anos, o melhor jornal do Brasil, aquele que, como é dito na carta de despedida da redação, chamava 'as coisas pelo seu nome'".
"Foi uma honra trabalhar com vocês, ao lado de vocês, para realizar um projeto extremamente bem-sucedido, um jornal que respeita os fatos e tem a coragem de contá-los. Obrigado a todes vocês que me leram nesses oito anos. A história não acaba aqui", finalizou.