Sim, saudade
Sim, saudade
Atualizado em 11/03/2010 às 18:03, por
Rodrigo Manzano.
Temos uma mania na redação da IMPRENSA. Sempre que não sabemos que chapéu usar em determinada matéria, falamos em pôr "saudade". A origem foi uma reportagem sobre a morte de algum jornalista cujo chapéu foi "saudade", responsabilidade até hoje desconhecida entre todos que estavam na redação naquele dia.
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Não respondi ao último e-mail dela. Estava em minhas pendências desde janeiro, quando me perguntou sobre Pequim e afirmou que também planejava uma viagem à China. . Nos conhecemos por e-mail em 2007, quando, de Paris, sugeriu uma pauta para IMPRENSA. Depois da primeira, foi ficando, até enviar para nós sua última matéria e a derradeira reportagem, uma semana antes de sucumbir.
Um dia, Cristina veio a São Paulo e almoçamos. Fomos nós a um restaurante secreto, escondido no fundo de uma adega, em uma rua decadente do centro. Ali, oito ou nove mesas, apenas. E nós dois, falando de tudo, menos de trabalho. Não diria que parecíamos amigos. Estávamos mais para comparsas de crime idiota: matar o trabalho, jogar conversa fora, ignorar as formalidades, falar bobagens e rir. Me lembro dos grandes óculos de sol que escondiam os olhos vivos. Não tinha uma pista sequer da tristeza absurda que pode tê-la tomado e levado pelas mãos.
Ao longo do tempo, a colaboração de Cristina se tornou um vento que soprava do norte. Raramente suas pautas eram ignoradas. Mas, melhores ainda eram seus e-mails, novidadeiros como a tia que volta de viagem com quinquilharias na bolsa. Em dezembro, quando precisávamos renovar nosso pedido da credencial de Cristina como correspondente estrangeira junto ao Ministério das Relações Exteriores da França, ela mandou notícias da Alsácia. Um tempo antes, se virava em Israel. Sempre com uma boa história e uma pauta.
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Pela primeira vez, o chapéu "Saudade" faz realmente sentido.

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Não respondi ao último e-mail dela. Estava em minhas pendências desde janeiro, quando me perguntou sobre Pequim e afirmou que também planejava uma viagem à China. . Nos conhecemos por e-mail em 2007, quando, de Paris, sugeriu uma pauta para IMPRENSA. Depois da primeira, foi ficando, até enviar para nós sua última matéria e a derradeira reportagem, uma semana antes de sucumbir.
Um dia, Cristina veio a São Paulo e almoçamos. Fomos nós a um restaurante secreto, escondido no fundo de uma adega, em uma rua decadente do centro. Ali, oito ou nove mesas, apenas. E nós dois, falando de tudo, menos de trabalho. Não diria que parecíamos amigos. Estávamos mais para comparsas de crime idiota: matar o trabalho, jogar conversa fora, ignorar as formalidades, falar bobagens e rir. Me lembro dos grandes óculos de sol que escondiam os olhos vivos. Não tinha uma pista sequer da tristeza absurda que pode tê-la tomado e levado pelas mãos.
Ao longo do tempo, a colaboração de Cristina se tornou um vento que soprava do norte. Raramente suas pautas eram ignoradas. Mas, melhores ainda eram seus e-mails, novidadeiros como a tia que volta de viagem com quinquilharias na bolsa. Em dezembro, quando precisávamos renovar nosso pedido da credencial de Cristina como correspondente estrangeira junto ao Ministério das Relações Exteriores da França, ela mandou notícias da Alsácia. Um tempo antes, se virava em Israel. Sempre com uma boa história e uma pauta.
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Pela primeira vez, o chapéu "Saudade" faz realmente sentido.






