Silvio Luiz completa 80 anos e revela os bastidores de nove Copas do Mundo
Nascido em 14 de julho de 1934, o jornalista, radialista e locutor esportivo Silvio Luiz cobriu nove edições da Copa do Mundo (1962 no Chile; 1974 na Alemanha; 1978 na Argentina; 1982 na Espanha; 1986 no México; 1990 na Itália; 1994 nos Estados Unidos; 1998 na França; 2006 na Alemanha).
Atualizado em 14/07/2014 às 12:07, por
Jéssica Oliveira.
de 1934, o jornalista, radialista e locutor esportivo Silvio Luiz cobriu nove edições da Copa do Mundo (1962 no Chile; 1974 na Alemanha; 1978 na Argentina; 1982 na Espanha; 1986 no México; 1990 na Itália; 1994 nos Estados Unidos; 1998 na França; 2006 na Alemanha).
Crédito:IMPRENSA Narrador completa 80 anos um dia depois da Copa no Brasil
Ao completar 80 anos exatamente um dia após a final do Mundial no Brasil, ele não narrou o torneio no quintal de casa porque a emissora para a qual trabalha não tem os direitos de transmissão e não liberou o profissional para outro canal. Mesmo sem o número mágico, histórias é que não faltam em sua carreira, conforme a biografia "Olho no lance", escrita pelo jornalista Wagner William.
O livro conta, por exemplo, como no Brasil em 1958 Silvio se escondeu embaixo da escada do avião que trasportou a delegação brasileira, campeã do mundo, e conseguiu uma entrevista exclusiva. Em busca dessa e de outras lembranças, IMPRENSA conversou com o narrador sobre os "causos" vividos nos nove Mundiais que cobriu e sobre a sua ausência nas edições de 2002 e 2010.
IMPRENSA - Quem é Sylvio Luiz Perez Machado de Sousa? Silvio Luiz - Um superprofissional que coloca a família em primeiro lugar, mas que perdeu boa parte do crescimento dos filhos e datas importantes longe dela em função da profissão; que não gosta de ostentação, de mentira, de falsidade, vive sempre de bom humor quando pode e que não gostaria de ver a profissão invadida por aproveitadores.
IMPRENSA – Em uma entrevista, o senhor disse que “fazer do jogo um show” é o que prende o público na narração. Por quê? Silvio Luiz – Porque o futebol ou qualquer outro esporte é diversão, descontração, alegria. Você quando vê um show assiste para se divertir e não para se aborrecer. Por tudo isso.
IMPRENSA – Por que ficou fora das Copas de 2002 e 2010? O que sentiu? Silvio Luiz – Em 2002 a empresa em que estava trabalhando não tinha os direitos, portanto... Em 2010, por ter postado no meu Twitter a foto de uma cadeira quebrada – sobre a qual já tinha reclamado com a direção da empresa — minha ida para a África foi cancelada. Me senti desrespeitado, pedi demissão. IMPRENSA – Sobra a Copa de 1962, no Chile, como repórter da Rádio Bandeirantes... Silvio Luiz – Tínhamos trânsito livre dentro da concentração, sem hora e dia marcado. Didi, aborrecido e com saudade da esposa sempre [estava] amuado em um canto. O chefe da delegação, Dr. Paulo Machado de Carvalho, percebendo isso, com dificuldade conseguiu uma ligação para a casa do dito cujo e em determinado momento chamou o jogador e disse que havia um telefonema para ele. Depois da conversa com dona Guiomar, Didi virou um outro homem. IMPRENSA – Sobra a Copa de 1974, na Alemanha, como repórter do pool formado por Record, Bandeirantes e Gazeta... Silvio Luiz – Tinha que me dirigir à cidade de Hannover para fazer uma matéria guiando o nosso carro. Acabei me perdendo no meio de uma plantação de uva durante o caminho, por não saber ler o mapa que me deram. Algum coleguinha de porre quebrou o vidro daqueles totens, o que você só faz em caso de urgência. Em três minutos estávamos cercados de policiais que nos passaram uma descompostura por termos utilizado um instrumento de utilidade pública em uma simples brincadeira. IMPRENSA – Sobre a Copa de 1978, na Argentina, primeira como narrador, pela Record... Silvio Luiz – Sim [é a Copa mais importante para mim]. Sem ser estrela, meu estilo diferente começou a agradar muita gente e um começo vitorioso como esse traz recordações muito alegres. O saudoso. IMPRENSA – Sobre a Copa de 1982, na Espanha, narrador da Rádio Record... [só a Globo tinha os direitos] Silvio Luiz – A ideia de narrar pelo rádio foi do falecido, saudoso e competente Rui Viotti. [Acompanhava a transmissão] dos estádios pelo monitor. O Flávio Prado estava inconsolável ao meu lado. Perguntei porque ele estava triste, me respondeu pela perda da Copa. Disse a ele "quem perdeu a Copa não foi o Brasil, foi a Globo". IMPRENSA – Sobre a Copa de 1986, no México, narrador do pool de TV Record e SBT... Silvio Luiz – Trabalhar com aquele grupo onde só havia jornalistas foi deveras gratificante. Aprendi muito. A gente sempre tem algo a aprender com pessoas mais experientes. [Os momentos mais marcantes foram] A desclassificação do Brasil e o gol histórico do Maradona. IMPRENSA – Sobre a Copa de 1990, na Itália, narrador pela Band... Silvio Luiz – Luciano [do Valle] havia feito um acordo com um restaurante para que pudéssemos jantar depois dos jogos devido ao fuso horário. No “Santo Padre”, a noite só terminava às 6h da manhã. Toquinho, Giovani Bruno, Vicente Raiola... eram os nossos convidados. Fazer uma transmissão com cinco comentaristas (Armando Nogueira, Juarez Soares, Mario Sergio, Rivelino e Zico) não é mole, com dois já é difícil. Ficar fazendo o "jogo da verdade", rodando uma garrafa de sambuca até às 8h da manhã era nossa diversão predileta. IMPRENSA – Sobre a Copa de 1994, nos Estados Unidos, narrador pela Band... Silvio Luiz – O jatinho que nos serviu durante a Copa nos dava mobilidade de voltar todas as noites para o hotel e dormir na mesma cama. O sacrifício era acordar às 6 da manhã, almoçar e jantar sanduíche. Nunca mais perdi a barriga em função dessa má alimentação. Em um jantar, Luciano [do Valle] reuniu Pelé e Tostão que não se viam há mais de dez anos. Vi a final deitado em minha cama do hotel saboreando uma enorme taça de sorvete – aquela Copa foi disputada a 40 graus. IMPRENSA – Sobre a Copa de 1998, na França, narrador pelo SBT... Silvio Luiz – Ao receber a pré-lista vi que o Ronaldo não estava escalado. O SBT transmitia a Fórmula Indy, falei com o estúdio e a direção interrompeu a corrida para dar a notícia. IMPRENSA – Sobre a Copa de 2006, na Alemanha, narrador pelo Bandsports... Silvio Luiz – Foi nessa Copa que o Dunga apareceu como comentarista. O programa “Apito Final” era feito do bar do hotel em função dos direitos [a Band não tinha].
Em maio de 2012, IMPRENSA publicou, em sua versão impressa, um perfil do narrador. Em celebração aos seus 80 anos, o texto será aberto para acesso.
Para ler a matéria completa, .
Crédito:IMPRENSA Narrador completa 80 anos um dia depois da Copa no Brasil
Ao completar 80 anos exatamente um dia após a final do Mundial no Brasil, ele não narrou o torneio no quintal de casa porque a emissora para a qual trabalha não tem os direitos de transmissão e não liberou o profissional para outro canal. Mesmo sem o número mágico, histórias é que não faltam em sua carreira, conforme a biografia "Olho no lance", escrita pelo jornalista Wagner William.
O livro conta, por exemplo, como no Brasil em 1958 Silvio se escondeu embaixo da escada do avião que trasportou a delegação brasileira, campeã do mundo, e conseguiu uma entrevista exclusiva. Em busca dessa e de outras lembranças, IMPRENSA conversou com o narrador sobre os "causos" vividos nos nove Mundiais que cobriu e sobre a sua ausência nas edições de 2002 e 2010.
IMPRENSA - Quem é Sylvio Luiz Perez Machado de Sousa? Silvio Luiz - Um superprofissional que coloca a família em primeiro lugar, mas que perdeu boa parte do crescimento dos filhos e datas importantes longe dela em função da profissão; que não gosta de ostentação, de mentira, de falsidade, vive sempre de bom humor quando pode e que não gostaria de ver a profissão invadida por aproveitadores.
IMPRENSA – Em uma entrevista, o senhor disse que “fazer do jogo um show” é o que prende o público na narração. Por quê? Silvio Luiz – Porque o futebol ou qualquer outro esporte é diversão, descontração, alegria. Você quando vê um show assiste para se divertir e não para se aborrecer. Por tudo isso.
IMPRENSA – Por que ficou fora das Copas de 2002 e 2010? O que sentiu? Silvio Luiz – Em 2002 a empresa em que estava trabalhando não tinha os direitos, portanto... Em 2010, por ter postado no meu Twitter a foto de uma cadeira quebrada – sobre a qual já tinha reclamado com a direção da empresa — minha ida para a África foi cancelada. Me senti desrespeitado, pedi demissão. IMPRENSA – Sobra a Copa de 1962, no Chile, como repórter da Rádio Bandeirantes... Silvio Luiz – Tínhamos trânsito livre dentro da concentração, sem hora e dia marcado. Didi, aborrecido e com saudade da esposa sempre [estava] amuado em um canto. O chefe da delegação, Dr. Paulo Machado de Carvalho, percebendo isso, com dificuldade conseguiu uma ligação para a casa do dito cujo e em determinado momento chamou o jogador e disse que havia um telefonema para ele. Depois da conversa com dona Guiomar, Didi virou um outro homem. IMPRENSA – Sobra a Copa de 1974, na Alemanha, como repórter do pool formado por Record, Bandeirantes e Gazeta... Silvio Luiz – Tinha que me dirigir à cidade de Hannover para fazer uma matéria guiando o nosso carro. Acabei me perdendo no meio de uma plantação de uva durante o caminho, por não saber ler o mapa que me deram. Algum coleguinha de porre quebrou o vidro daqueles totens, o que você só faz em caso de urgência. Em três minutos estávamos cercados de policiais que nos passaram uma descompostura por termos utilizado um instrumento de utilidade pública em uma simples brincadeira. IMPRENSA – Sobre a Copa de 1978, na Argentina, primeira como narrador, pela Record... Silvio Luiz – Sim [é a Copa mais importante para mim]. Sem ser estrela, meu estilo diferente começou a agradar muita gente e um começo vitorioso como esse traz recordações muito alegres. O saudoso. IMPRENSA – Sobre a Copa de 1982, na Espanha, narrador da Rádio Record... [só a Globo tinha os direitos] Silvio Luiz – A ideia de narrar pelo rádio foi do falecido, saudoso e competente Rui Viotti. [Acompanhava a transmissão] dos estádios pelo monitor. O Flávio Prado estava inconsolável ao meu lado. Perguntei porque ele estava triste, me respondeu pela perda da Copa. Disse a ele "quem perdeu a Copa não foi o Brasil, foi a Globo". IMPRENSA – Sobre a Copa de 1986, no México, narrador do pool de TV Record e SBT... Silvio Luiz – Trabalhar com aquele grupo onde só havia jornalistas foi deveras gratificante. Aprendi muito. A gente sempre tem algo a aprender com pessoas mais experientes. [Os momentos mais marcantes foram] A desclassificação do Brasil e o gol histórico do Maradona. IMPRENSA – Sobre a Copa de 1990, na Itália, narrador pela Band... Silvio Luiz – Luciano [do Valle] havia feito um acordo com um restaurante para que pudéssemos jantar depois dos jogos devido ao fuso horário. No “Santo Padre”, a noite só terminava às 6h da manhã. Toquinho, Giovani Bruno, Vicente Raiola... eram os nossos convidados. Fazer uma transmissão com cinco comentaristas (Armando Nogueira, Juarez Soares, Mario Sergio, Rivelino e Zico) não é mole, com dois já é difícil. Ficar fazendo o "jogo da verdade", rodando uma garrafa de sambuca até às 8h da manhã era nossa diversão predileta. IMPRENSA – Sobre a Copa de 1994, nos Estados Unidos, narrador pela Band... Silvio Luiz – O jatinho que nos serviu durante a Copa nos dava mobilidade de voltar todas as noites para o hotel e dormir na mesma cama. O sacrifício era acordar às 6 da manhã, almoçar e jantar sanduíche. Nunca mais perdi a barriga em função dessa má alimentação. Em um jantar, Luciano [do Valle] reuniu Pelé e Tostão que não se viam há mais de dez anos. Vi a final deitado em minha cama do hotel saboreando uma enorme taça de sorvete – aquela Copa foi disputada a 40 graus. IMPRENSA – Sobre a Copa de 1998, na França, narrador pelo SBT... Silvio Luiz – Ao receber a pré-lista vi que o Ronaldo não estava escalado. O SBT transmitia a Fórmula Indy, falei com o estúdio e a direção interrompeu a corrida para dar a notícia. IMPRENSA – Sobre a Copa de 2006, na Alemanha, narrador pelo Bandsports... Silvio Luiz – Foi nessa Copa que o Dunga apareceu como comentarista. O programa “Apito Final” era feito do bar do hotel em função dos direitos [a Band não tinha].
Em maio de 2012, IMPRENSA publicou, em sua versão impressa, um perfil do narrador. Em celebração aos seus 80 anos, o texto será aberto para acesso.
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