Silvana Mello: a artista que desenha "errado" e faz o que quer

Silvana Mello: a artista que desenha "errado" e faz o que quer

Atualizado em 12/04/2008 às 12:04, por Marina Dias/Redação Portal IMPRENSA.

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"Uma vez fiz um curso de desenho em uma escola, e lá me disseram que minha maneira de desenhar estava completamente errada. Eles queriam uma padronização. Continuo fazendo 'errado'". É assim que Silvana Mello, desenhista profissional há oito anos, define o seu trabalho.

Silvana Mello

A artista afirma que não sabe bem quando começou com seus desenhos, mas que em suas primeiras lembranças de infância "já estava com canetinhas, lápis de cor e giz de cera na mão". Durante sua carreira, Silvana já trabalhou com moda, tatuagem e música. "Fui evoluindo dentro da minha arte e hoje posso escolher, faço só o que tenho vontade", declara.

Com toda essa vontade e trabalho, Silvana se inspira em livros, fotografias de família e revistas antigas, até encontrar alguma imagem que, segundo ela, transmita o que quer dizer. "Então eu desenho ou separo e monto com outras imagens, como uma colagem e, a partir daí, desenho e pinto".

Silvana Mello

Silvana acredita que seus traços não mudaram muito com o tempo. "Só estou com um pouco mais de prática, o que torna o processo mais fácil". Além disso, diz que seus temas favoritos para o desenho são crianças, animais, natureza, aviões de guerra, instrumentos musicais e caveiras.

Silvana Mello

Eclética? Pode ser. "Não que seja de caso pensado, mas você vai encontrar muitaz vezes, no meu trabalho, esse contraste entre o calmo e o agressivo, o bonito e o defeituoso...São contrapontos, e apenas pontos de vista", explica Silvana. Sobre as caveiras, a artista afirma que as adora. "Minha primeira tatuagem, que fiz há vinte quatro anos atrás, tem cinco caveiras. Para mim, elas representam a negação da matéria, a evolução da alma, acho bonito".

Silvana Mello

Já sobre o efeito que as tecnologias podem ter sobre os traços, Silvana diz que aquela bem usada, "ou melhor, usada com bom gosto", é maravilhosa. No entanto, finaliza declarando que ser perfeccionista a irriata muito e que também não gosta de ser interrompida por campainhas ou telefones. A mensagem fica: Deixem-na criar.