Sigamos, então, o exemplo do "BBB"

Sigamos, então, o exemplo do "BBB"

Atualizado em 31/03/2010 às 08:03, por Thaís Naldoni.

Estava em casa, assistindo o capítulo final do "BBB10". Trabalhando com comunicação, internet, usando o , impossível não se envolver com o tema. Estou certa de que, ao menos um pouco, quase todo mundo sabia alguma história ou conhecia algum personagem do reality show .
O fim do programa, com vitória de Marcelo Dourado - repetente na atração - me fez pensar, sobretudo, quando o apresentador Pedro Bial contou que o programa brasileiro havia batido o recorde mundial no que diz respeito ao número votos em programas de mesmo formato: 155 milhões de votos. Qual a magia para que haja tamanha mobilização?
Na última terça-feira (30/03), o autor de novelas Aguinaldo Silva creditou o sucesso do programa à escolha pensada e acertada de seu elenco. Claro. Os conflitos, as polêmicas, os amores, os comportamentos contraditórios são os ingredientes que fomentam a curiosidade do telespectador, seu grau de interesse, os papos de bar, de almoço, a ira de alguns. E qual a arma que o telespectador tem para interferir nessa história? O voto.
Trago, então, a magia do "BBB" para a vida real. Vivemos às voltas com um reality show diário. Flagramos nos telejornais, nos sites, nos impressos cenas e conflitos, amores, desamores, histórias de amizades eternas, de alianças. Por que, então, não transferimos tamanho interesse e mobilização da TV para a realidade?
Temos todos os ingredientes para boas tramas. Quem não fica abismado com os recorrentes prêmios - de valores variados - que alguns de nossos políticos escondem na meia, guardam na bolsa, recheiam os paletós? Quem nunca prestou atenção nos discursos emocionados que negam as falcatruas, as artimanhas e juram fidelidade eterna ao "público"?
Quantas e quantas vezes nos deparamos com "amizades de infância" que acabaram de começar, alianças que de tão inquebráveis se desfazem na primeira troca de partido, no primeiro voto contrário?
Assistimos a esse "Big Brother" cotidiano, com tantas reviravoltas, tantos acontecimentos... tantos mocinhos que viram bandidos, tantos bandidos que alcançam a redenção... nem que seja por meio de uma "delação premiada"...
Assim como no "BBB" - aquele que só interfere na vida daquele que ganha o dinheiro - o reality show do dia-a-dia pode também ser "manipulado" por nós, o público, o povo. E usando a mesma arma que usamos no show da TV: o voto.
E então? Preparados para começar a assistir?