Serviço de inteligência da Lituânia é condenado por grampear linhas telefônicas de jornalistas

Os alvos foram profissionais que atuam pela agência de notícias BNS. As escutas foram feitas entre 2013 e 2014.

Atualizado em 01/07/2014 às 11:07, por Redação Portal IMPRENSA.

Após 17 jornalistas da Lituânia terem ligações grampeadas pelo serviço de inteligência do país, em 2013, o governo estuda medidas para proteger os profissionais de futuros problemas. Segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, a denúncia foi feita pela agência de notícias local BNS em outubro passado e, até o momento, nenhuma explicação oficial foi divulgada.
Além das escutas, os repórteres também foram interrogados e computadores da agência foram apreendidos. O motivo seria uma reportagem publicada pela BNS sobre uma manobra política da Rússia que buscaria desestabilizar o governo da Lituânia. A matéria tinha como base um relatório secreto do serviço de inteligência, que estaria agora tentando encontrar a fonte do vazamento.
Crédito:Reprodução Presidente da Lituânia pediu ao Parlamento medidas que contenham a repressão contra jornalistas A Justiça da Lituânia determinou que a prática é ilegal e condenou o serviço de inteligência do governo, que atuou de forma independente. A presidente Dalia Grybauskaite chegou a solicitar ao Parlamento que adote medidas para proteger jornalistas de métodos de repressão "da era Soviética", como ela classificou.
Em comunicado, o editor da BNS, Vaidotas Beniušis, e o diretor Jurga Eivaite, condenaram as práticas. "O uso em massa de escutas em linhas telefônicas de jornalistas é uma violação grosseira da liberdade de imprensa. É algo absolutamente inaceitável em um país democrático. O procedimento foi desproporcional, poderia ter ameaçado revelar fontes confidenciais de informação e violou a privacidade de funcionários da BNS sem motivo aparente".