Série sobre Caso Escola Base estreia no Canal Brasil no segundo semestre
Produção contará com o depoimento da única dona do estabelecimento ainda viva
Atualizado em 29/03/2022 às 09:03, por
Redação Portal IMPRENSA.
O exemplo mais citado em salas de aulas dos cursos de jornalismo de todo o país vai virar uma série documental. O Caso Escola Base, apontado como um dos maiores erros da imprensa brasileira, tem previsão para estrear no segundo semestre no Canal Brasil, sob a direção de Paulo Henrique Fontenelle.
O caso ocorreu em 1994. Após notar alguns comportamentos diferentes, pais de alunos da escola, localizada no Bairro da Aclimação, acusaram os donos do estabelecimento de abuso sexual às crianças. Combinada com uma conduta precipitada da polícia, a cobertura equivocada e sensacionalista por parte da imprensa transformaram os suspeitos em culpados mesmo sem nenhum tipo de prova. Crédito:Reprodução
O sensacionalismo dos jornais da época ao cobrir o caso Escola Base Única dona ainda viva, a professora Paula Milhin é uma das entrevistadas da série, além de suas filhas, que ainda eram crianças à época. Boris Casoy e Heródoto Barbeiro, que eram jornalistas do SBT e da TV Cultura também foram ouvidos.
Meses depois da denúncia - que chegou a ser veiculada no Jornal Nacional, telejornal de maior audiência no país, o delegado responsável arquivou o caso por falta de provas.
Os efeitos do sensacionalismo, no entanto, fizeram com que um homem sem qualquer ligação com o caso fosse preso por nove dias, e que os acusados, o casal Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, donos da escola, e o então marido de Paula, Maurício Monteiro de Alvarenga, motorista, desenvolvessem transtornos psicológicos e doenças como estresse e cardiopatia.
Em 1995, eles moveram uma ação por danos morais contra a Fazenda Pública do Estado, e venceram nas duas primeiras instâncias. Quase 30 anos depois, o processo ainda aguarda sentença final em Brasília. Folha, Estadão, O Globo, SBT, Record, Bandeirantes, IstoÉ, Veja, Notícias Populares e Folha da Tarde foram processados.
Em sua edição nº 84, veiculada em setembro de 1994, a Revista IMPRENSA destrinchou o que seria "Anatomia de um crime da Imprensa". Na matéria de capa, a reportagem especial de Roberto Pereira de Souza apontava que "erros, prejulgamento e sensacionalismo da imprensa anulam a vida de seis pessoas inocentes".
Em um balanço feito pela reportagem, 90% dos casos eram baseados apenas em acusação, e 10% de desmentidos. A edição destacou também algumas manchetes utilizadas por jornais da época.
"Escolinha acusada de usar crianças em orgias sexuais", dizia a Folha da Tarde. "Escola usou crianças do maternal no filme pornô: professor ensinava a transar", escreveu o Notícias Populares.
O caso ocorreu em 1994. Após notar alguns comportamentos diferentes, pais de alunos da escola, localizada no Bairro da Aclimação, acusaram os donos do estabelecimento de abuso sexual às crianças. Combinada com uma conduta precipitada da polícia, a cobertura equivocada e sensacionalista por parte da imprensa transformaram os suspeitos em culpados mesmo sem nenhum tipo de prova. Crédito:Reprodução
O sensacionalismo dos jornais da época ao cobrir o caso Escola Base Única dona ainda viva, a professora Paula Milhin é uma das entrevistadas da série, além de suas filhas, que ainda eram crianças à época. Boris Casoy e Heródoto Barbeiro, que eram jornalistas do SBT e da TV Cultura também foram ouvidos. Meses depois da denúncia - que chegou a ser veiculada no Jornal Nacional, telejornal de maior audiência no país, o delegado responsável arquivou o caso por falta de provas.
Os efeitos do sensacionalismo, no entanto, fizeram com que um homem sem qualquer ligação com o caso fosse preso por nove dias, e que os acusados, o casal Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada, donos da escola, e o então marido de Paula, Maurício Monteiro de Alvarenga, motorista, desenvolvessem transtornos psicológicos e doenças como estresse e cardiopatia.
Em 1995, eles moveram uma ação por danos morais contra a Fazenda Pública do Estado, e venceram nas duas primeiras instâncias. Quase 30 anos depois, o processo ainda aguarda sentença final em Brasília. Folha, Estadão, O Globo, SBT, Record, Bandeirantes, IstoÉ, Veja, Notícias Populares e Folha da Tarde foram processados.
Em sua edição nº 84, veiculada em setembro de 1994, a Revista IMPRENSA destrinchou o que seria "Anatomia de um crime da Imprensa". Na matéria de capa, a reportagem especial de Roberto Pereira de Souza apontava que "erros, prejulgamento e sensacionalismo da imprensa anulam a vida de seis pessoas inocentes".
Em um balanço feito pela reportagem, 90% dos casos eram baseados apenas em acusação, e 10% de desmentidos. A edição destacou também algumas manchetes utilizadas por jornais da época.
"Escolinha acusada de usar crianças em orgias sexuais", dizia a Folha da Tarde. "Escola usou crianças do maternal no filme pornô: professor ensinava a transar", escreveu o Notícias Populares.





