Série de eventos relembra os 40 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog
A morte de Vladimir Herzog completou 40 anos no último domingo (25/10) e para relembrar a data foi realizada uma série de atividades em homenagem ao jornalista, vítima da ditadura militar brasileira.
Atualizado em 27/10/2015 às 15:10, por
Alana Rodrigues*.
Crédito:Divulgação Atos relembram a morte do jornalista na ditadura militar
Um ato ecumênico reuniu centenas de pessoas na Catedral da Sé, na região central de São Paulo, e contou com a presença da família e de amigos do jornalista. Muitas pessoas entraram na Catedral cantando a música "Para não dizer que não falei das flores", de Geraldo Vandré, considerado um hino de resistência à ditadura militar.
Participaram do evento a viúva do jornalista, Clarice Herzog, o filho dele, Ivo Herzog, o secretário de municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, Eduardo Suplicy, e o historiador Cícero Araújo. Oradores se revezaram em discursos que lembraram mortos e torturados pelo regime.
"O ato ecumênico realizado há 40 anos marcou o início do processo de redemocratização do Brasil. A ideia do evento deste domingo foi relembrar aquele dia de forma alegre e inspiradora, mas não sem fazer as denúncias que devem ser feitas", disse Ivo, que também é diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog.
Mais eventos
Na última segunda-feira (26/10), o Cine Belas Artes exibiu o documentário “Vlado - 30 Anos Depois”, às 20h50, com sessão aberta ao público, seguida de debate com o diretor João Batista de Andrade. Também ocorreu a reinauguração da Praça Vladimir Herzog, criada pela Câmara Municipal de São Paulo em 2013, às 18 horas.
Ás 19h, a Comissão da Verdade apresentou seu relatório final com homenagem a Clarice Herzog e a outros importantes protagonistas na luta contra a ditadura, como Ana Dias, viúva de Santo Dias da Silva, operário morto pela Polícia Militar em 1979.
Vladimir Herzog
Na noite do dia 24 de outubro de 1975, Vlado Herzog, então diretor de jornalismo da TV Cultura, apresentou-se na sede do Destacamento de Operações de Informações/ Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo, para prestar esclarecimentos sobre suas ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB).
De acordo com a versão oficial da época, ele teria se enforcado com o cinto do macacão de presidiário. Porém, de acordo com os testemunhos de jornalistas presos na mesma época, Vladimir foi assassinado sob forte tortura.
Três anos depois, em 27 de outubro de 1978, o processo movido pela família do jornalista revelou a verdade sobre a morte. A União foi responsabilizada pelas torturas e pelo assassinato de Vlado. Foi o primeiro processo vitorioso movido por familiares de uma vítima do regime militar.
*Com supervisão de Vanessa Gonçalves





