Série da TV Globo "Pedofilia em Coari (AM)" ganha prêmio de telejornalismo

Em São Paulo, o jornalista Wálter Nunes, da TV Globo, soube de vídeo com o relato de uma menina de 12 anos denunciando o prefeito de Coari (AM) por pedofilia.

Atualizado em 25/11/2014 às 19:11, por Jéssica Oliveira.

Wálter Nunes, da TV Globo, soube de vídeo com o relato de uma menina de 12 anos denunciando o prefeito de Coari (AM) por pedofilia. No Rio de Janeiro, a jornalista Monica Marques já tinha uma apuração sobre o político Adail Pinheiro. Os jornalistas e equipes uniram forças na apuração que resultou na série "Pedofilia em Coari (AM)", vencedora da categoria Telejornalismo no 11º Prêmio Líbero Badaró.
Crédito: Wálter Nunes e Monica Marques uniram forças para realizar apuração Exibida em janeiro e fevereiro de 2014 no "Fantástico", a série denunciou como crianças e adolescentes sofriam abusos sexuais por parte de um grupo de pedófilos que seria liderado pelo prefeito de Coari.

" A maior dificuldade foi convencer as meninas. Elas tinham dado o depoimento, mas para gravar estavam com muito medo. E o cuidado também, porque mesmo quando elas aceitaram, era difícil contar essas história. Algumas tinham sido dadas ao prefeito, vendidas pela própria mãe", conta Monica.
A equipe também enfrentou outros problemas para realizar a série, um deles de ordem judicial. Pinheiro tem contra ele cerca de 70 processos, pelo menos três envolvendo crimes sexuais, mas a maioria estava parada no Tribunal de Justiça local há anos.

"O prefeito de Coari só conseguiu fazer o que fez por causa de uma rede de proteção, praticamente de estado. Ele violava as meninas não como um criminoso comum, ele usava todo aparato da prefeitura. Estávamos na área dele, tínhamos que pisar em ovos", explica Nunes.
Segundo Monica, a equipe trabalhou em conjunto não só nas questões de ordem prática e operacional, mas também no suporte uns aos outros pelo teor da pauta e para manter o questionamento até o fim da apuração. "Tomamos muitos cuidados, verificamos a história, fizemos um levantamento muito minucioso. Era um dando força para o outro o tempo todo", conta.
Condenado por unanimidade
Quase um ano depois da exibição da reportagem, a equipe recebeu duas "grandes notícias" na mesma semana: que a série venceu o Líbero Badaró de Telejornalismo e o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) condenou Pinheiro por exploração sexual infantil com 11 anos, 10 meses e 318 dias de prisão em regime fechado, perda do mandato político e transferência para presídio comum.
"Duas grandes notícias. O reconhecimento jornalístico, que é importante para a gente, e principalmente a decisão judicial que acaba concretizando tudo aquilo que a gente mostrou, é a prova de que o que a gente estava denunciado era real, era verdadeiro", diz Monica.
A série pode ser assistida em três partes: , e .

Prêmio Líbero Badaró Iniciativa da revista e portal IMPRENSA, com apoio da Câmara Municipal de São Paulo e de associações ligadas à liberdade de imprensa, o Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo visa estimular o desenvolvimento da imprensa brasileira, distribuindo R$ 72 mil aos melhores trabalhos jornalísticos do país, tanto de profissionais quanto de universitários.
A 11ª edição reconheceu as melhores matérias - veiculadas de 8 de abril de 2013 a 7 de abril de 2014 - em 10 categorias, mais duas categorias especiais: Grande Prêmio Líbero Badaró, à melhor matéria ou reportagem inscrita e Contribuição à Imprensa, que reconhecerá a contribuição à mídia brasileira feita por uma instituição, empresa ou pessoa física.
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